História no Enem: quais assuntos mais caem na prova?
Estudar para a disciplina envolve paciência e bastante leitura, mas saber quais assuntos mais aparecem no exame é um ponto de partida importante

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Quais são os assuntos de História que mais caem no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)? Se você sempre se faz essa pergunta antes de preparar sua rotina de estudos, podemos dizer que é um ponto de partida muito inteligente.
Muitos temas estão presentes na prova, no entanto, alguns deles aparecem com mais frequência e devem ficar no seu radar para 2026. Confira os principais!
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Assuntos de História que mais caem no Enem
Todo ano, o time do Aprova Total atualiza o relatório com a análise de incidência dos temas mais recorrentes no Enem. O documento se baseia nas aplicações regulares dos últimos anos da prova e tem informações de cada disciplina. Veja o gráfico dos assuntos de História que mais caem no Enem:

Além de conhecer quais assuntos de História mais caem no Enem, é importante se atentar à estrutura da prova. As questões frequentemente cobram a relação entre diferentes períodos e conceitos históricos, por isso, dominar esses processos é essencial para a interpretação dos textos e das alternativas.
Estudar história envolve paciência e bastante leitura, assim como a elaboração de esquemas ou mapas mentais para estudo. As linhas do tempo e os resumos, por exemplo, também são recursos que tornam mais fácil a revisão dos conteúdos.
O gráfico mostra que os top 5 módulos mais presentes na prova são:
- Brasil Colônia (11,8%)
- Estado Novo e Populismo (10,3%)
- Idade Média (10,3%)
- Tempo Presente (9,6%)
- Idade Moderna (9,6%)

Vamos conhecer melhor cada um dos assuntos de História que mais caem no Enem?
1. Brasil Colônia
As questões relacionadas ao Brasil Colônia abordam o contexto da Idade Moderna e a realidade presente no país durante aquela época. Trata, por exemplo, da cultura dos povos africanos escravizados nas Américas, dos povos originários e seus conflitos com os europeus, da formação do território brasileiro, dos seus ciclos econômicos e das questões políticas e sociais na colônia.
Exemplo de questão sobre Brasil Colônia
(Enem PPL 2023) Antônio Vieira enfrentou a Inquisição portuguesa, de olho no apoio que os judeus portugueses podiam oferecer à causa da Restauração. Mas a Companhia de Jesus e a Inquisição portuguesa nunca foram muito amigas. Basta lembrar a estratégia missionária dos jesuítas, calcada na adaptação do catolicismo à cultura dos povos missionados, enquanto a Inquisição era obcecada pelo ideal de pureza da fé, sem mistura de nenhum tipo.
VAINFAS, R. In: FIGUEIREDO, L. (Org.). História do Brasil para ocupados. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2013.
No contexto da dominação ibérica da América, um exemplo do dissenso referido no texto girou em torno da
a) criação de polos de fomento do comércio ultramarino.
b) condenação da utilização de escravos do continente africano.
c) ressignificação dos panteões indígenas pela propaganda cristã.
d) fundação de núcleos de catequese nas regiões agroprodutoras.
e) incorporação de indivíduos nativos pelas forças militares coloniais.
Resposta: [C]
O texto deixa claro que a Companhia de Jesus buscava catequizar os indígenas a partir da adaptação e da inserção da cultura católica na forma de vida indígena, mantendo aspectos da cultura dos povos originários. Segundo o texto, o Tribunal de Inquisição era contrário a isso, sendo a favor da imposição total da cultura católica sobre a cultura indígena.
2. Estado Novo e Populismo
O módulo engloba os 15 anos do primeiro governo de Getúlio Vargas (1930 - 1945), os 19 anos seguintes de governos populistas no Brasil e o começo da Ditadura Civil-Militar, implantada em 1964.
Aqui, destacamos a importância de conteúdos relacionados à figura de Getúlio Vargas, que é lembrado de maneira controversa, realçando a dualidade política de seus governos – ora constitucionais, ora ditatoriais.
Além disso, as transformações sociais que ocorreram no Brasil nesse período devem ser consideradas. Sejam as políticas nacionais e trabalhistas de Vargas ou os planos desenvolvimentistas de Juscelino Kubitschek, a mudança socioeconômica do país é um tema-chave deste período.
Exemplo de questão sobre Estado Novo e Populismo
(Enem 2024)

O que as capas da revista Travel in Brazil, publicadas entre 1941 e 1944 pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), evidenciam?
a) Estereótipos da cultura nacional.
b) Exploração da população pobre.
c) Preconceitos de ordem racial.
d) Política de censura midiática.
e) Projeto de país industrial.
Resposta: [A]
As capas da revista Travel in Brazil destacam figuras e elementos que representam uma visão estereotipada da cultura nacional, como a mulher sambista, o vaqueiro e o casal de trabalhadores do campo. Esses ícones foram explorados pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) durante o Estado Novo como parte de um projeto de promoção da identidade brasileira, enfatizando aspectos regionais e populares que reforçassem uma ideia de "brasilidade".
3. Idade Média
Os filósofos iluministas e positivistas do século 18 e 19 pintaram uma imagem muito feia da Idade Média. No entanto, a realidade é que este é um dos períodos mais longos da História, por isso, é impossível dizer que foi exclusivamente uma “era das trevas”, na qual não houve avanços para a sociedade humana.
Além disso, essa visão se mostra bastante restritiva, uma vez que a maioria das observações se referiam à Europa medieval.
Diversos impérios na África e Ásia estavam em pleno desenvolvimento social e cultural, o que indica essa percepção carregada de estereótipos sobre a Idade Média - e ainda um resquício eurocêntrico do estudo de História.
No Enem, podem aparecer questões sobre a estrutura social feudal, a religião durante a Idade Média e as transformações sociais que marcaram a Baixa Idade Média. Nesse caso, principalmente a urbanização e a reabertura do comércio processo que chamamos de renascimento comercial e urbano.
Além disso, pode cobrar temas como Islamismo, Império Árabe, Igreja Medieval e as Cruzadas.
Exemplo de questão sobre Idade Média
(Enem 2024) As instituições que a Idade Média nos legou são de um valor maior e mais imperecível do que suas catedrais. E a universidade é nitidamente uma instituição medieval – tanto quanto a monarquia constitucional, ou os parlamentos, ou o julgamento por meio do júri. As universidades e os produtos imediatos das suas atividades constituem a grande realização da Idade Média na esfera intelectual.
RASHDALL, H. apud OLIVEIRA, T. Origem e memória das universidades medievais. Varia História, n. 37, jan.-jun. 2007.
De acordo com o texto, o legado das universidades medievais torna-se um relevante patrimônio histórico-cultural por
a) adotar currículo e método padronizado.
b) rejeitar ideologias e costumes orientais.
c) possuir organização e função mercantil.
d) transmitir técnicas e valores ecumênicos.
e) agregar tradição e conhecimento científico.
Resposta: [E]
O texto destaca que as universidades medievais foram uma das grandes realizações da Idade Média no campo intelectual, sendo uma junção entre elementos tradicionais católicos do período e avanços do conhecimento e da Ciência. As universidades da Europa medieval eram ligadas à Igreja Católica, e, portanto, seguiam as tradições católicas da época de filosofia, ensino e pesquisa. Ao longo dos séculos, elas se tornaram centros de saber, onde o conhecimento científico e as tradições da Igreja Católica foram preservados, desenvolvidos e transmitidos.
4. Tempo presente
Patrimônio e memória estão entre os assuntos de História que mais caem no Enem e fazem parte do módulo de estudo que chamamos de Tempo Presente.
O exame busca relacioná-los com acontecimentos e períodos históricos, como a construção da memória dos heróis nacionais e questões identitárias de povos. Por isso, é tão importante entender a relação entre identidades coletivas, memória e patrimônio.
Exemplo de questão sobre Tempo Presente
(Enem 2024) O Círio de Nazaré é uma festa que ocorre, anualmente, na cidade de Belém do Pará, no segundo domingo do mês de outubro. Sua estrutura ritualística tem origem no catolicismo devocional que surge em Portugal por volta do século XV. Até 1789, a festa em louvor a Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, era marcada pelas ladainhas e novenas. Em 1790, a Igreja Católica autorizou a realização de festa em homenagem à Virgem. A primeira procissão ocorreu em 1793. Existindo há mais de duzentos anos, a Festa congrega um extenso mosaico de elementos integrados em diferentes planos e graus de intensidade.
ALMEIDA. I. M. A. Revisitando o Círio de Nazaré a partir da lente sociológica de Eidorfe Moreira. Boletim do Museu Paraense Emilio Goeldi, n. 3, set.-dez. 2015 (adaptado).
O reconhecimento da festa descrita no texto, como patrimônio histórico, encontra sustentação no(a)
a) instituição de políticas públicas de âmbito local.
b) registro de bens culturais de natureza imaterial.
c) tombamento de sítios arqueológicos de propriedade privada.
d) salvaguarda de elementos sacros de expressão regional.
e) categorização de manifestações cristãs de caráter oficial.
Resposta: [B]
O Círio de Nazaré, descrito no texto, é reconhecido como um patrimônio cultural de natureza imaterial, pois representa uma manifestação cultural e religiosa com grande importância histórica e social para a comunidade de Belém do Pará e para o Brasil como um todo. A festa inclui um conjunto de rituais e práticas culturais transmitidos de geração em geração, que constituem parte da identidade cultural local. Por essa razão, o reconhecimento do Círio de Nazaré como patrimônio histórico se baseia no registro de bens culturais de natureza imaterial, que abrange celebrações e tradições não físicas, mas de grande valor cultural.
5. Idade Moderna
A Idade Moderna é pano de fundo para diversos conteúdos, incluindo Brasil Colônia. Mas, no geral, estamos falando de temas como Iluminismo, Grandes Navegações, colonização da América e povos ameríndios (astecas, incas e maias).
Por ser um módulo extenso, ele acaba tomando grande porcentagem entre exercícios de História no Enem, apesar de não ser o assunto mais incidente.
A Idade Moderna ainda pode aparecer interligada a temáticas como as Grandes Navegações, que auxiliaram no desenvolvimento do mercantilismo e que, por sua vez, era dependente do absolutismo. Como consequência, surgem os empreendimentos coloniais na América.
Todo esse contexto também se relaciona ao Brasil Colônia e chega a temas como o processo de colonização do território brasileiro, o mercado escravocrata e os ciclos econômicos.
Portanto, é essencial compreender que a Idade Moderna não é apenas um único assunto cobrado no Enem, mas representa um momento histórico que influencia diversos episódios.
Exemplos de questão sobre Idade Moderna
(Enem PPL 2021) Alguns escravos morreram em consequência da violência essencial à sua captura na África, muitos outros nas jornadas entre os lugares que habitavam no interior e os portos dos oceanos Atlântico e Índico, ou enquanto aguardavam o embarque, muito mais ainda no mar, outros nos mercados de escravos brasileiros, e mais ainda durante o processo de ajustamento físico e mental ao sistema escravista no Brasil.
CONRAD, R. E. Tumbeiros: o tráfico de escravos para o Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1985.
As formas de violência relacionadas ao tráfico negreiro no Brasil colonial destacadas no texto derivam da
a) intensificação do expansionismo ultramarino.
b) exploração das atividades indígenas.
c) supressão da catequese jesuítica.
d) extinção dos contratos comerciais.
e) contração da economia ibérica.
Resposta: A
O texto fala da transição entre o final da Idade Média e o início da Idade Moderna. A "crise florestal" do período, descrita no texto, está relacionada diretamente à extração de madeira, ou à “necessidades em produtos lenhosos”, para a construção de navios para as viagens marítimas.
Dica extra: República Oligárquica
Apesar de não aparecer na lista de assuntos de História que mais caem no Enem, o conteúdo de República Oligárquica também aparece muito na prova.
É possível encontrar questões sobre:
- as principais revoltas da Primeira República (como a Revolta da Vacina e a Guerra de Canudos);
- o contexto de modernização e reformas urbanas;
- o protagonismo político de São Paulo;
- as práticas de coronelismo e a política dos governadores;
- o início de uma pequena industrialização, com a formação do movimento sindical no Brasil e a imigração europeia.
Exemplos de questões sobre República Oligárquica
(Enem PPL 2023) As greves operárias que eclodiram em São Paulo, em junho de 1917, se tornariam o símbolo não só da miséria social vivida pela classe no período, mas também de rebeldia e revolta de mulheres e homens. Naquele momento, as mulheres ocupavam quase 34% da mão de obra, e no setor têxtil o número de empregadas superava o de homens. Na Fábrica de Fósforos Pauliceia, os homens chegavam a receber diárias de 4 mil réis, mas havia lá cem mulheres empregadas que não recebiam mais que 1 800 réis por dia. A manhã de 17 de outubro de 1917 nasceu com uma paralisação numa das fábricas de Matarazzo, a Mariângela. A notícia veiculada informava que as operárias do ramo têxtil reivindicavam aumento de 20% dos salários em atitude pacífica.
FRACCARO, G. C. C. Mulheres, sindicato e organização política nas greves de 1917 em São Paulo.
Revista Brasileira de História, n. 76, 2017 (adaptado).
A situação dessas trabalhadoras coloca em evidência a
a) discrepância de escala nos horários noturnos.
b) desigualdade de gênero nas relações laborais.
c) dissimetria de critérios nos processos seletivos.
d) diferença de condições nas negociações sindicais.
e) disparidade de remuneração nos diferentes cargos.
Resposta: [B]
A questão fala sobre diferenças salariais entre homens e mulheres, mas tem como pano de fundo as greves operárias no Brasil durante a Primeira República. O aumento de salário foi uma das pautas da Greve Geral de 1917.
(Enem 2019) A Revolta da Vacina (1904) mostrou claramente o aspecto defensivo, desorganizado, fragmentado da ação popular. Não se negava o Estado, não se reivindicava participação nas decisões políticas; defendiam-se valores e direitos considerados acima da intervenção do Estado.
CARVALHO, J. M. Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Cia. das Letras, 1987 (adaptado).
A mobilização analisada representou um alerta, na medida em que a ação popular questionava
a) a alta de preços.
b) a política clientelista.
c) as reformas urbanas.
d) o arbítrio governamental.
e) as práticas eleitorais.
Resposta: [D]
Apesar de outras medidas da reforma urbana de Pereira Passos terem incomodando a população do Rio de Janeiro, o estopim para a Revolta da Vacina foi a imposição da Lei de Vacinação Obrigatória. Ela representou uma "violência" por parte do governo brasileiro, que desejava vacinar a população de forma compulsória, usando intervenção policial e sem qualquer campanha de conscientização ou informação. A violência utilizada e a falta de esclarecimentos sobre a vacina, levaram à indignação popular.
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