Ciências Humanas História

Colonização da América: história, contexto, povos e mais

Quais foram os principais acontecimentos na colonização da América? Existiram impactos da chegada dos povos europeus nesse território? Entenda essas e outras questões sobre o assunto

Acessibilidade

O processo de colonização da América começou em 1492, com a chegada dos espanhóis onde hoje é a América Central. Mas a colonização teve início, de fato, com a vitória espanhola nas guerras da conquista contra os astecas, em 1521, e contra os incas, em 1532. 

Neste texto, você vai conhecer como essa história aconteceu, quais os personagens envolvidos, as problemáticas presentes nela, de que maneira o assunto pode aparecer no Enem e nos vestibulares e mais.

Colonização das América: contexto histórico

A colonização da América tem o seu início no contexto de formação dos Estados Nacionais Modernos na Europa, quando os reinos centralizavam seus territórios sob o poder dos reis absolutistas. Nesse caso, Portugal e Espanha tiveram papel central no início das Grandes Navegações, pois funcionavam sob um Estado Monárquico, com o fim das Guerras de Reconquista no final do século 15. 

Em 1453, com o Império Otomano dominando Constantinopla, cidade importante para o comércio marítimo entre a Europa e o Oriente, Portugal e Espanha iniciaram a procura de novas rotas para as Índias, como era conhecido o continente asiático.  

Qual o conceito de mercantilismo?

Mercantilismo é o nome dado ao sistema que regia a economia dos Estados Nacionais europeus, e que mantinha sua estrutura política. Ele se baseava na ideia de um nacionalismo econômico, em que cada Estado concentrava forças para proteger e desenvolver nesse campo. 

Duas práticas comuns do mercantilismo são o protecionismo e o metalismo. No protecionismo, os Estados modernos passaram a buscar por uma balança comercial favorável, ou seja, as exportações deveriam ser maiores que as importações. Os Estados, então, passaram a investir no comércio e na produção manufatureira. 

Já o metalismo transformou metais preciosos, como ouro e prata, em bens que simbolizavam a riqueza das nações. Assim, as práticas do mercantilismo visavam acumular metais preciosos nos reinos.

A relação entre o mercantilismo e a colonização da América se dá pelo desejo das nações europeias de expandir suas reservas de ouro e prata e de ter acesso direto ao mercado asiático de especiarias e tapeçarias. 

Em busca do “paraíso na Terra”

Havia entre os europeus o imaginário de um “paraíso na terra”, ou de uma “terra sem mal”, intocada pela corrupção dos homens. Essa ideia, que permeou a visão de mundo dos medievais na Europa, permaneceu durante a modernidade e fundamentou as primeiras descrições de viajantes sobre a América. 

Relatos de um paraíso eldorado, habitado por “bons selvagens”, chegaram à Europa e confirmavam aquilo que os europeus sonhavam encontrar, ou seja, um Éden terrestre. 

Com o tempo, a visão dos colonizadores sobre os povos indígenas foi sendo modificada, dividindo-os entre “almas inocentes” e “selvagens”

Reforma Protestante

A Reforma Protestante teve início no século 16, com os questionamentos de Martinho Lutero sobre práticas da Igreja Católica, como a venda de indulgências. Diante disso, surgiram outros movimentos que levaram ao desmembramento da Igreja e à formação de novas religiões baseadas no cristianismo, como o Luteranismo, o Anglicanismo e o Calvinismo. 

Na América, as colônias receberam colonos protestantes, em especial as francesas, inglesas e holandesas. Ao mesmo tempo, o contexto da contrarreforma, resposta da Igreja Católica à Reforma Protestante, e a criação da Companhia de Jesus influenciaram as colônias dos reinos ibéricos (Portugal e Espanha). Assim, os jesuítas surgiram como figuras importantes para a expansão do catolicismo na América, por meio da catequização dos povos nativos. 

Quem foi Cristóvão Colombo?

Cristóvão Colombo (na representação ao lado, em pintura feita por Sebastiano del Piombo e localizada no Metropolitan Museum of Art/Wikimedia Commons) foi um navegador genovês (região do norte da Itália), que trabalhou em nome de vários reinos da Europa. 

Por meio do estudos de rotas comerciais e correntes marinhas, Colombo criou a teoria de que seria possível alcançar o Oriente atravessando o Atlântico a oeste. Em 1492, então, os reis espanhóis Fernando de Aragão e Isabel de Castela autorizaram a viagem.

Na primeira tentativa, Colombo e sua tripulação chegaram à atual América Central pensando ter alcançado a Ásia. 

Ele era leitor e admirador do viajante Marco Polo, que descreveu as maravilhas da China sua obra lançada no final do século 13, "As Viagens de Marco Polo". Ao chegar na América, Colombo acreditou ter alcançado o “eldorado na China", descrito nesse livro. 

Cristóvão Colombo fez, no total, quatro viagens à América, mas sempre pensou ter explorado a costa da Ásia. A chegada dele e de seus homens no continente americano provocou a morte de milhares de nativos pelo contato com doenças trazidas da Europa. Colombo também sequestrou essas pessoas para serem “estudadas” na Europa, mas a maioria não resistiu à viagem.

Banner Extensivo Medicina

Tipos de colonização da América

Historiadores classificam em dois os tipos de colonização da América: colonização de exploração e colonização de povoamento. Vamos conhecer cada uma delas?

Colonização de exploração

A colonização de exploração tinha o objetivo de abastecer o mercado externo, utilizando para isso mão de obra escravizada. Ela tem como característica geral a exploração econômica e natural do território colonizado pela metrópole. 

Essas colônias sofriam com o controle da metrópole, chamado de pacto colonial, que determinava como seriam as relações comerciais entre elas. O pacto colonial exigia que o comércio com a colônia fosse exclusivo e estabelecia normas que beneficiavam somente à metrópole. 

Inicialmente, tanto Portugal quanto Espanha utilizaram-se de mão de obra escravizada nativa. Porém, após décadas de conflitos entre colonos portugueses e jesuítas, a escravidão indígena foi proibida em 1755. Dessa maneira, prevaleceu o uso da mão de obra escravizada africana, que aconteceu de forma cruel e sistemática até o final do século 19. 

Esse tipo de colonização foi utilizado extensivamente na América portuguesa, na América espanhola e, em menor intensidade, na América inglesa.

Colonização de povoamento

A colonização de povoamento tinha o objetivo de ocupar o território e impedir que outras nações o invadissem. No geral, essas colônias tinham maior autonomia em relação à metrópole e usavam mão de obra familiar para produzir aquilo que os colonos precisavam para sua subsistência. 

A escolha por uma colonização de povoamento, ao invés de exploração, acontecia nos casos em que a metrópole não tinha muito interesse em explorar os recursos da colônia. A porção norte da América inglesa, por exemplo, que apresenta condições climáticas mais parecidas com as europeias, foi formada por colônias de povoamento. 

Colonização da América espanhola

Os espanhóis, diferentemente dos portugueses, “encontraram” ouro e prata logo no primeiro contato com os povos ameríndios, que já faziam a metalurgia antes da chegada dos colonizadores. 

Considera-se que a América espanhola tenha sido o grande polo de extração de metais preciosos que enriqueceram a Europa moderna.

Tratado de Tordesilhas (1494)

O Tratado de Tordesilhas dividiu o mundo conhecido e as terras “a descobrir” entre posses portuguesas e espanholas. Segundo os termos do tratado, uma linha imaginária, traçada a 370 léguas a oeste de Cabo Verde, determinou quem ficava com o que: assim, todas as terras a leste da linha seriam da Espanha; e as terras a oeste da linha pertenceriam a Portugal. 

Esse tratado foi questionado por reinos europeus e, mais tarde, desrespeitado tanto pela Espanha como por Portugal, que o substituíram por outros tratados que buscaram resolver tais questões territoriais.

Vice-reinos e capitanias gerais

A América Espanhola foi dividida em vice-reinos e capitanias gerais, estrutura utilizada para administrar o território. Ambos representavam extensões do Reino da Espanha e estavam subordinados a ele. Criaram-se os vice-reinos da Nova Espanha, do Peru e da Nova Granada e Prata. As capitanias gerais eram Guatemala, Cuba, Venezuela, Chile, Santo Domingo e Porto Rico. 

Colonização e América portuguesa: principais informações

Os portugueses chegaram à costa de onde hoje é o Brasil em 1500, mas a colonização começou somente em 1534, com a divisão do território em capitanias hereditárias. Até o início da colonização, Portugal formou feitorias e fortes na costa brasileira, e exploraram a mão de obra escravizada  indígena para a extração do pau-brasil.

mapa mostrando a divisão das capitanias hereditárias
Mapa mostra a divisão em Capitanias Hereditárias (Reprodução Aprova Total)

Na chegada de Portugal ao que hoje é a costa brasileira, o território era habitado por grupos indígenas culturalmente e etnicamente diversos. Desde então, já no período pré-colonial (1500-1532), esses povos, que tiveram contato com os colonizadores portugueses, foram escravizados. 

Depois, houve disputas entre os jesuítas, responsáveis pela educação dos indígenas nos moldes europeus e católicos, e os colonos portugueses. Essas disputas aconteciam, principalmente, porque os jesuítas eram contrários à escravização dos indígenas pelos colonos, apesar de vários religiosos defenderem a prática no trabalho dentro das Missões.

O extermínio, a escravização e a sistemática eliminação de práticas culturais indígenas fizeram parte do processo de colonização.

Ciclo do açúcar

Com a criação das capitanias hereditárias, passaram a acontecer os primeiros experimentos de cultivo de cana-de-açúcar, que deram certo nas capitanias de São Vicente e de Pernambuco.

Moagem de cana na Fazenda Cachoeira, de Benedito Calixto (1830) - Ciclo do açúcar, colonização da América
Moagem de cana na Fazenda Cachoeira, pintura de Benedito Calixto, 1830 (Acervo do Museu Paulista da USP/ Wikimedia Commons)

O ciclo do açúcar obteve maior êxito em Pernambuco e utilizou, majoritariamente, mão de obra escravizada africana em sua produção. 

A escravização africana foi substituindo o trabalho dos indígenas e se tornou sistemática. Toda a economia da colônia brasileira se mantinha apenas com o trabalho escravizado, cujas justificativas envolviam teorias raciais sobre uma suposta “superioridade” dos brancos europeus.

Ciclo da mineração

No final do século 17, bandeirantes em missão pelo interior do território descobriram ouro na região das Minas Gerais - era o início do ciclo da mineração. 

Com a descoberta do ouro, a região das Minas Gerais foi tomada por aqueles que buscavam enriquecer com a metalurgia. Logo, Portugal teve que criar uma estrutura administrativa para controlar a extração do minério. Criaram-se casas de fundição a fim de garantir que o ouro seria taxado, e a economia mineradora se transformou na maior fonte de riquezas do reino português. 

Assim como no ciclo do açúcar, a mão de obra escravizada também esteve presente.

👉 Leia também:

República Oligárquica: tudo sobre este período da História do Brasil

Colonização da América inglesa

A Inglaterra entrou na disputa por territórios na América mais tarde, em comparação aos reinos ibéricos, e começou seu projeto colonial usando corsários (uma espécie de piratas legalizados) para tomar embarcações espanholas transportando ouro americano. 

Elizabeth I, por Steven Van Der Meulen - colonização da América

A primeira experiência colonizadora da Inglaterra na América começou no reinado de Elizabeth I, conhecida como a “rainha virgem”, já na metade final do século 16. Porém, essa primeira experiência falhou, e a Inglaterra voltou a formar colônias americanas apenas no século 17, com o fim das Revoluções Inglesas.

Imagem: Elizabeth I por Steven Van Der Meulen, 1563 (Important British Paintings/ Wikimedia Commons)

Na segunda experiência colonizadora, a Inglaterra fundou as treze colônias, que formariam, mais tarde, os Estados Unidos. 

As treze colônias

Chamamos de treze colônias a costa leste da América, o que hoje são os Estados Unidos. Fundada ao longo do século 17, a América inglesa teve algumas características específicas em cada região.

O norte, chamado de Nova Inglaterra, compreendia os territórios de Massachusetts, Connecticut, Rhode Island e Maine. Essa região recebeu muitos colonos que fugiram da Inglaterra por causa das perseguições religiosas, e teve forte influência do protestantismo. 

A Nova Inglaterra tinha sua economia baseada na mão de obra livre, mas também usava escravizados africanos em trabalhos domésticos. Tinha, portanto, características de uma colonização de povoamento

As colônias do centro, Nova York, Nova Jersey, Delaware e Pensilvânia, também eram de povoamento, apesar de utilizarem a mão de obra escravizada de forma mais intensa. A região produzia para sua subsistência, mas comercializava os excedentes da produção e chegou a receber indústrias têxteis. 

Já as colônias do sul, constituídas pelos territórios de Maryland, Virgínia, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Geórgia, tiveram uma colonização de exploração e usavam majoritariamente mão de obra escravizada africana. O clima subtropical da região era favorável à monocultura e à chamada agricultura de plantation.

Essa divisão entre as regiões influenciou nas disputas da Guerra de Secessão, quando os estados do sul guerrearam com os estados do norte.

Colonização da América francesa

O projeto de colonização francês na América começou tardiamente, com as tentativas de ocupação dos territórios das Américas portuguesa e espanhola. Primeiro, tentaram ocupar a Flórida, que pertencia à América espanhola, depois, em 1555, implementaram uma colônia na costa do Rio de Janeiro: a França Antártica

Essa região foi ocupada por calvinistas franceses, que estabeleceram alianças com povos indígenas e trabalharam na extração de madeira. Mas já em 1560, os franceses acabaram expulsos pelos portugueses. Outras tentativas aconteceram, como no Maranhão, mas não deram certo.  

As colônias francesas funcionaram na região das Guianas, na América do Sul, e nas Antilhas, onde se desenvolveu uma economia açucareira com uso de mão de obra escravizada africana. 

Na região norte da América, os franceses ocuparam a Luisiana e o Mississipi (atuais Estados Unidos), Quebec (atual Canadá) e o Golfo do México. Por lá, os colonos viviam da comercialização de peles e atividades menores.

Resumo da colonização da América

Agora que você já leu sobre a colonização da América com detalhes, listamos as informações mais importantes a respeito do assunto, e que devem ficar gravados na sua mente, beleza?

  • Os projetos de colonização da América começaram no contexto de formação dos Estados Nacionais Modernos na Europa e da expansão de uma economia mercantilista;
  • Espanha e Portugal foram os primeiros reinos a atravessarem o Atlântico, tentando, em um primeiro momento, chegar às Índias;
  • Em 1492, Cristóvão Colombo, viajando em nome da Coroa espanhola, atracou suas embarcações na América pensando ter encontrado a Ásia;
  • A colonização da América espanhola se iniciou com o fim das guerras de conquista contra os astecas e os incas, o que levou ao genocídio desses povos;
  • Já a colonização da América portuguesa começou três décadas após a chegada dos portugueses no continente, por meio do sistema de capitanias hereditárias.
  • O primeiro ciclo econômico do período colonial foi o ciclo do açúcar, predominante em Pernambuco;
  • Tanto a América espanhola quanto a portuguesa consistiram em colônias de exploração e utilizaram mão de obra escravizada. 
  • Inglaterra e a França entraram tardiamente na disputa por territórios da América;
  • Somente no século 17 é que a Inglaterra teve êxito na ocupação da costa leste da América do Norte, onde fundaram-se as treze colônias, atual Estados Unidos;
  • A França teve experiências colonizadoras em regiões dominadas por Portugal, como a França Antártica, e pela Espanha - mas esses projetos falharam, levando os franceses a regiões da América Central e da América do Norte, além das Guianas na América do Sul.

Como a colonização da América pode cair no Enem e nos vestibulares?

De maneira geral, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e os vestibulares adoram questões que abordam a relação entre passado e presente. Nesse caso, nada mais importante do que a história de nosso continente, certo? Os exercícios sobre o assunto tratam principalmente dos processos de conquista e colonização do que hoje chamamos de América Latina.

Ou seja, as provas podem cobrar conhecimento sobre os povos ameríndios, a chegada nos territórios, as guerras de conquista e a estrutura que os espanhóis implementaram em suas colônias americanas. 

👉 Leia também:

História no Enem: quais temas se destacam na prova?

Os principais acontecimentos do Segundo Reinado no Brasil

🥇 Quer preparação máxima para ter alto rendimento no Enem e ingressar no curso dos seus sonhos? 
Então conheça a plataforma do Aprova Total!

Banner

TEMAS:

avatar
Bárbara Donini

Analista de História no Aprova Total. Licenciada (Udesc) e mestre (UFSC) em História, tem experiência na área de educação, no Ensino Fundamental e em curso pré-vestibular.

Ver mais artigos de Bárbara Donini >

Analista de História no Aprova Total. Licenciada (Udesc) e mestre (UFSC) em História, tem experiência na área de educação, no Ensino Fundamental e em curso pré-vestibular.

Ver mais artigos de Bárbara Donini >

Compartilhe essa publicação:

Veja Também

Assine a newsletter do Aprova Total

Você receberá apenas nossos conteúdos. Não enviaremos spam nem comercializaremos os seus dados.