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Redação da Fuvest: como é, tipos de propostas e dicas de preparação

Saiba tudo sobre a prova de redação da Fuvest com a análise completa do Aprova Total e aumente suas chances de garantir uma vaga na universidade

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Muitos estudantes, ao ouvirem falar sobre a redação da Fuvest, imediatamente ficam ansiosos. Isso acontece porque as propostas do vestibular da USP costumam ser bastante desafiadoras, assim como o restante da prova.

Para a edição de 2026, a banca organizadora optou por adaptar o formato da redação, incluindo mais de um gênero textual para escolha do aluno. Nesse modelo, o posicionamento do candidato e a impressão da autoria no texto precisam estar muito presentes. Além disso, uma leitura crítica da coletânea é fundamental para que você se dê bem nos diferentes tipos textuais.

Se você quer entender mais sobre a estrutura de redação da Fuvest, chegou ao lugar certo! Neste post, explicamos os novos critérios de correção, a organização da proposta temática e as características dos temas. Confira ainda as dicas para tirar uma nota alta!

Como é a redação da Fuvest?

A redação da Fuvest é aplicada na segunda fase do vestibular e é muito importante para a aprovação na Universidade de São Paulo (USP). Isso porque vale 50 pontos, o que corresponde a uma boa parte da pontuação do dia em que é aplicada. 👀 Sem contar que zerar a redação provoca a eliminação do candidato.

Agora, falando sobre temas, a proposta da Fuvest costuma ser uma oportunidade para que o estudante reflita sobre diferentes aspectos da sociedade. A banca costuma trazer uma abordagem mais filosófica. Isso significa que os temas são, na maioria das vezes, mais subjetivos do que os do Enem, exigindo uma reflexão profunda e uma postura crítica clara por parte do candidato.

Na hora de fazer sua redação, não esqueça: o exame exige, obrigatoriamente, um título. Ele deve ter relação com a temática e com a discussão apresentada no texto.

Gênero textual exigido na redação da Fuvest

Até 2025, a Fuvest cobrava apenas o gênero de dissertação-argumentativa. A partir de 2026, ela optou por fazer uma mudança no vestibular, com a finalidade de se aproximar mais da BNCC, que guia os conteúdos trabalhados no ensino médio.

A partir dessa atualização, a banca decidiu também adaptar a sua redação. Portanto, a partir deste ano, o aluno poderá escolher entre dois gêneros textuais para a sua escrita: um necessariamente de tipologia dissertativa e outro necessariamente de tipologia narrativa. É importante ressaltar que o candidato NÃO deverá escrever as duas redações, mas sim escolher um dos gêneros para a sua escrita. 

#ATENÇÃO: além do gênero dissertativo-argumentativo, a Fuvest poderá cobrar também outros gêneros dessa tipologia, como manifesto e artigo de opinião. 

Nos gêneros dissertativos, você sempre deve apresentar um ponto de vista e argumentos para sustentá-lo. Nos gêneros narrativos, você deve narrar uma história e indicar um clímax, que é o ponto principal da narrativa. Em alguns casos, é possível que a banca cobre gêneros que permeiam as duas tipologias, como a crônica. 

Independente de gênero, é preciso que a estrutura siga uma progressão, com início, meio e fim. Um texto bem estruturado e coeso é fundamental para uma boa nota nesse modelo. 

Dicas para uma redação de sucesso na Fuvest

Quer garantir uma boa pontuação? Então confira algumas dicas sobre a redação da Fuvest para arrasar na prova!

1. Estude diferentes gêneros textuais

O estudo sobre as características de diferentes gêneros é fundamental para o novo modelo da Fuvest. Contudo, não deixe de estudar a dissertação-argumentativa, que era obrigatória nos outros anos. Isso porque a banca não deixará de cobrar esse gênero, mas sim incluirá outras opções para que o candidato selecione o gênero de preferência.

Na dissertação, lembre-se de incluir um ponto de vista claro e os argumentos necessários para a discussão. Nos outros gêneros, procure trazer uma narrativa bem consolidada, com uma boa progressão entre os acontecimentos.

Além disso, fique atento aos gêneros mistos, como a crônica, que são majoritariamente narrativos, mas que também exigem o desenvolvimento de um ponto de vista.

Para este estudo, além dos temas específicos da Fuvest, nós temos as propostas de Gêneros Textuais na nossa plataforma, que são sempre acompanhadas de uma videoaula. Essa banca vai te ajudar a treinar diferentes gêneros e se familiarizar com as características de cada um.

2. Não tente seguir o modelo do Enem

Embora o formato dissertativo-argumentativo seja utilizado tanto na Fuvest quanto no Enem, tentar replicar um mesmo modelo pode ser uma estratégia falha. Isso porque a banca da Fuvest consegue identificar textos que seguem um padrão genérico, o que pode prejudicar a avaliação.

Cada tema da Fuvest demanda uma organização própria, de acordo com o tema proposto, e é essencial evitar argumentos superficiais. 

3. Na dissertação, traga apenas repertórios que fortaleçam a argumentação

O uso de repertórios (referências teóricas, históricas, filosóficas etc.) é uma estratégia válida, mas apenas quando eles servem para reforçar a argumentação do texto.

Na Fuvest, não é recomendado apresentar repertórios genéricos, que possam ser utilizados em qualquer tema. Além disso, o uso de filmes, séries, programas e comerciais pode também não ser bem visto.

Portanto, ao introduzir elementos externos no texto, certifique-se de que eles realmente contribuem para a construção de um raciocínio que faça diferença para o seu texto.

👉 Leia também: Repertório para a redação do Enem: dicas por eixos temáticos

4. Atenção à linguagem utilizada em cada gênero textual

Além da estrutura do texto, a Fuvest também busca avaliar se o candidato consegue construir uma linguagem adequada para cada situação. Na escrita da redação, é preciso que o autor do texto construa a imagem que o gênero exige, isso faz com que o tom e o nível de formalidade sejam adaptados a cada gênero.

No entanto, lembre-se de escrever conforme as normas gramaticais vigentes. Independente do gênero, isso será avaliado nos textos dos alunos.

5. Elabore um projeto de texto bem estruturado e faça um rascunho

Antes de começar a escrever, é essencial que o candidato tenha um planejamento claro do que será desenvolvido ao longo do texto.

Para isso, recomenda-se a elaboração de um projeto de texto e de um rascunho, que ajudarão a organizar as ideias, corrigir possíveis erros e garantir que o texto final esteja coeso e bem estruturado.

Critérios de avaliação da redação da Fuvest

A redação da Fuvest vale 50 pontos, distribuídos em quatro critérios principais. Durante a correção, dois avaliadores atribuem a pontuação de 1 a 3 para cada critério.

Se os corretores atribuírem pontos iguais, considera-se essa pontuação. Porém, se divergirem em 1 ponto em determinado critério, valerá a média das duas notas. Por outro lado, caso a diferença entre os corretores ultrapasse 1 ponto, a redação passará por uma terceira avaliação da banca.

A seguir, vamos entender mais a fundo cada um dos critérios.

Critério 1: desenvolvimento do tema, uso da coletânea e autoria

Neste critério, os avaliadores verificam se o candidato compreendeu corretamente o tema proposto e se usou os textos da proposta de maneira adequada.

Na dissertação, é importante que o candidato exponha claramente o tema e o ponto de vista, além de apresentar de forma clara os argumentos. Nos outros gêneros textuais, o candidato deve desenvolver uma narrativa bem consolidada, que esteja dentro da temática proposta.

Neste critério, o candidato deve mostrar que trouxe uma leitura analítica dos textos da coletânea, então nada de copiar ou parafrasear os textos motivadores, certo? O uso dos textos deve ficar claro através do desenvolvimento das informações.

Critério 2: compreensão e atendimento da proposta quanto ao gênero e tipo de texto

Este critério avalia a coesão e a coerência do texto, verificando se há uma conexão lógica entre as ideias apresentadas e se os conectivos e pronomes utilizados auxiliam a fluidez do texto.

O candidato deve evitar senso comum e buscar trazer uma abordagem original para o tema.

Critério 3: recursos linguísticos (coesão e coerência) e progressão textual

Este critério avalia a coesão e a coerência do texto, verificando se há uma conexão lógica entre as ideias apresentadas e se os conectivos e pronomes utilizados auxiliam a fluidez do texto.

O candidato deve evitar senso comum e buscar trazer uma abordagem original para o tema. Além disso, é preciso que o candidato construa um bom projeto de texto e que isso fique evidente na sua produção textual.

Critério 4: convenções da escrita e adequação vocabular

Aqui, a norma culta da Língua Portuguesa é fundamental. Os avaliadores verificarão se o candidato domina as regras gramaticais e se utiliza um vocabulário adequado ao gênero textual.

Usar palavras muito rebuscadas ou desconhecidas não é necessário; o importante é garantir que o texto esteja claro, sem erros e com um vocabulário diversificado.

👉 Leia também: 25 dúvidas de ortografia respondidas para não se confundir mais

Tema de redação da Fuvest 2025

Apesar das mudanças da Fuvest na sua estrutura, já adiantamos que ela manterá as características dos temas, então você pode se basear nas provas antigas para entender as abordagens feitas por essa banca. Isso significa que as propostas são mais subjetivas e trabalham com a reflexão sobre diferentes questões sociais.

O tema de redação da Fuvest 2025 foi "As relações sociais por meio da solidariedade".

A proposta trouxe seis textos de apoio para os inscritos, entre eles um fragmento de Quincas Borba, de Machado de Assis, e um trecho da declaração do G20, encontro entre líderes mundiais que ocorreu no Rio de Janeiro em novembro de 2024.

Além disso, o candidato encontrou versos do cantor Cazuza, texto do filósofo Edgar Morin e excertos do livro Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, e Água Funda, de Ruth Guimarães - que constavam na lista de leituras obrigatórias do vestibular.

Propostas de redação da Fuvest dos últimos 5 anos

Uma boa forma de se familiarizar com esse modelo de texto é estudar os temas de redação da Fuvest que já apareceram em outras edições do exame.

No Acervo do Vestibular, você encontra as provas e gabaritos anteriores. Nesta seção, é possível ler mais informações sobre os textos fornecidos pela banca em cada proposta de redação.

A seguir, reunimos os temas de redação da Fuvest dos últimos cinco anos:

Fuvest 2024

"Educação básica e formação profissional: entre a multitarefa e a reflexão"

Na prova para ingresso em 2024, os candidatos deveriam argumentar sobre os métodos de ensino e a relação entre tarefas repetitivas e momentos de reflexão na formação educacional.

A proposta trouxe como primeiro texto um excerto da obra Sociedade do Cansaço de Byung-Chul Han, que discute os impactos do excesso de atividades na vida moderna. O segundo texto foi O Ócio Criativo, de Domenico de Masi, que aborda o papel do tempo livre na criatividade e no aprendizado. E o terceiro texto apresentou uma pesquisa da Faculdade de Educação da USP (FEUSP) sobre educação indígena no Brasil.

Os textos 4, 5 e 6 foram representações visuais que destacavam a relação entre ócio e produtividade, enquanto o texto 7 era um post do Instagram refletindo sobre a visão de sucesso que a sociedade atual promove.

👉 Leia também: Redação da Fuvest 2024 pede um olhar para a educação; veja análise

Fuvest 2023

"Refugiados ambientais e vulnerabilidade social"

O desafio da redação era discutir a vulnerabilidade enfrentada por refugiados ambientais.

O primeiro texto introduziu o tema com uma discussão sobre o êxodo de refugiados em razão de desastres ambientais. O segundo texto foi um relatório do Banco Mundial, que apresenta dados sobre a distribuição global de refugiados. Em seguida, o texto 3 exibiu uma imagem do livro Êxodos, de Sebastião Salgado, que retrata a migração de povos.

O quarto texto foi um trecho de Vidas Secas, de Graciliano Ramos, seguido de um texto jornalístico do El País (como quinto texto), que aborda os desafios dos refugiados. O sexto texto trouxe um excerto de Ideias para Adiar o Fim do Mundo, de Aílton Krenak, que discute a relação do homem com a natureza

👉 Leia também: Redação da Fuvest 2023 traz o tema “Refugiados ambientais e vulnerabilidade social”

Fuvest 2022

"As diferentes faces do riso"

Os candidatos deveriam argumentar sobre o papel do riso em diferentes esferas da sociedade.

O primeiro texto, escrito por Marcelo Gleiser, tratou o riso como uma característica universal do ser humano. O segundo texto, do filósofo Henri Bergson, sugeria que o riso possui uma função social de correção de comportamentos. O terceiro texto foi um trecho da obra História do Riso e do Escárnio, que discutia o riso no contexto histórico.

O quarto texto, por sua vez, trouxe uma imagem de uma obra de Yue Minjun com um comentário, representando o riso como crítica social. O quinto incluiu a frase "rir é um ato de resistência", do ator brasileiro Paulo Gustavo.

Fuvest 2021

"O mundo contemporâneo está fora de ordem?"

A proposta pedia uma visão crítica sobre a ordem (ou desordem) do mundo atual.

O primeiro texto foi um excerto do ensaio A Nova Razão do Mundo, de Pierre Dardot e Christian Laval, que discute a lógica neoliberal. O segundo texto foi um poema de Carlos Drummond de Andrade, que fala sobre a desordem no mundo.

O terceiro texto foi a letra de uma música de Caetano Veloso, a qual critica a sociedade contemporânea. Por fim, o quarto texto foi um trecho de um discurso de Greta Thunberg, no qual a ativista climática acusava líderes mundiais de negligência em relação ao meio ambiente.

👉 Leia também: E se a redação for sobre meio ambiente? Veja sugestões de repertórios

Fuvest 2020

"O papel da ciência no mundo contemporâneo"

O tema teve o objetivo de discutir a relevância e o impacto da ciência no contexto atual da sociedade.

O primeiro texto foi uma tirinha de Luís Fernando Veríssimo, seguida de um texto de Oscar Sala sobre a relevância da ciência. O terceiro texto foi um poema de Gilberto Gol, que aborda a ciência de forma poética.

Tirinha de Luis Fernando Veríssimo na Redação da Fuvest 2020. No primeiro quadro, personagem pergunta ao outro se foi ele que inventou a roda. O outro responde que foi, mas que já se arrependeu.
(Imagem: Reprodução/Fuvest)

O quarto texto, de Carl Sagan, destaca a relação entre ciência e sociedade, enquanto o quinto texto foi um artigo jornalístico de Alicia Kowaltowski, que discute a importância da ciência na sociedade moderna.

Atenção ao que pode zerar sua nota

A prova para tentar uma vaga na USP é muito disputada e temos certeza de que você não quer perder a oportunidade de conquistar o seu espaço nessa universidade.

Assim, ao escrever a redação da Fuvest, é essencial prestar atenção às regras para evitar que a sua nota seja zerada. Redações em branco, que fujam do tema ou que não sigam o tipo textual exigido pela proposta serão desclassificadas.

Além disso, textos que contenham menos do que o limite mínimo de linhas especificado também são zerados. É importante lembrar que qualquer uso de elementos verbais ou visuais que não estejam relacionados ao tema da redação resultará em nota zero.

🚫 A anulação da redação implica automaticamente a desclassificação do candidato no processo seletivo. Portanto, siga rigorosamente as instruções e mantenha o foco no tema proposto.

Principais diferenças entre a redação da Fuvest e do Enem

Ambos os modelos de redação exigem do candidato habilidades de argumentação e domínio da norma culta da Língua Portuguesa. No entanto, a redação da Fuvest se diferencia em vários aspectos da proposta do Enem. São eles:

  • Possibilidade de escrever outro gênero textual: na Fuvest, é possível que o candidato escreva também outro gênero além do dissertativo;
  • Obrigatoriedade do título: na Fuvest, é obrigatório que a redação tenha título, enquanto no Enem isso não é exigido;
  • Ausência de proposta de intervenção: a Fuvest não pede uma proposta de intervenção para resolver o problema apresentado, que é um dos critérios essenciais da redação do Enem;
  • Temas abordados: no Enem, os temas discutem problemas da sociedade, enquanto a Fuvest costuma refletir sobre diversas questões sociais, com tópicos mais amplos;
  • Uso de repertórios socioculturais: no Enem, o uso de repertório é obrigatório e pode ser mais generalista. Já na Fuvest, os repertórios só são válidos quando trazem uma informação relevante para o texto;
  • Paráfrase da coletânea: no Enem, a paráfrase dos textos da coletânea é permitida, mas, na Fuvest, essa prática é mal vista e pode prejudicar a argumentação do candidato.

Colaborou nesta publicação: Cláudia Bechler

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Caroline Coltrin

Analista pedagógica de redação sênior no Aprova Total. Mestra em linguística (UFSC) e graduada em linguística (UNICAMP). É especialista em análise gramatical e possui experiência com os modelos de correção do Enem e de outros vestibulares tradicionais.

Ver mais artigos de Caroline Coltrin >

Analista pedagógica de redação sênior no Aprova Total. Mestra em linguística (UFSC) e graduada em linguística (UNICAMP). É especialista em análise gramatical e possui experiência com os modelos de correção do Enem e de outros vestibulares tradicionais.

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