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O que é obsolescência programada: confira repertório sobre o tema

Esse fenômeno da sociedade de consumo moderna molda a maneira como produzimos, consumimos e descartamos os produtos

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Obsolescência programada é um assunto muito discutido atualmente e tem chances de aparecer como proposta de redação nos vestibulares. Você sabe o que significa esse termo?

Vamos explicar: imagine que você compra um celular e ele funciona superbem, até que, depois de um ano, a marca lança um modelo novo, a garantia vence e o desempenho do aparelho já não é mais o mesmo. Vive travando, a bateria dura muito menos e alguns aplicativos deixam de funcionar, até que usá-lo se torna uma tarefa quase impossível.

Pode ser também que você se atraia pela publicidade desse celular, mesmo que o seu ainda esteja em pleno funcionamento. Nas duas situações, muitas vezes, o resultado é "comprar a novidade e descartar o que é antigo".

Essa situação é conhecida como obsolescência programada, tema discutido no EP 36 do AprovaDocs, série de webdocumentários exclusivos produzidos pelo Aprova Total para os alunos da plataforma em busca de repertório para redação.

O que é obsolescência programada?

A partir do exemplo da introdução deste artigo, podemos entender a obsolescência programada como um fenômeno da sociedade de consumo moderna, que molda a maneira como produzimos, consumimos e descartamos os produtos.

Ela se refere à estratégia deliberada de projetar produtos com uma vida útil limitada, com o objetivo de incentivar a substituição frequente e, consequentemente, estimular o consumo constante. Ou seja, obsolescência é o processo de tornar algo obsoleto - nesse caso, de maneira intencional.

O fenômeno surgiu após a quebra da bolsa, em 1929, com a chamada Grande Depressão como pano de fundo. A ideia era simples: produzir bens de consumo que, de maneira intencional, não durassem muito tempo, de modo a estimular compras contínuas e, assim, impulsionar a economia em tempos difíceis.

Essa estratégia ganhou popularidade rapidamente, pois permitiu que as empresas gerassem lucros consistentes ao longo do tempo, já que os consumidores precisavam renovar constantemente seus produtos.

Quais são os tipos de obsolescência programada?

É possível caracterizar a obsolescência programada em quatro tipos principais que você pode abordar em uma redação:

  • Em sentido estrito
    Quando os produtos são projetados para falhar ou se tornar inutilizáveis após um período específico de uso. Isso pode envolver a inclusão de componentes internos que se desgastam rapidamente ou a implementação de sistemas que desligam o produto após um número determinado de operações.
  • Indireta
    Envolve a impossibilidade prática ou o alto custo de reparar um produto. Isso ocorre porque muitos fabricantes não fornecem peças de reposição ou tornam o reparo tecnicamente complexo, levando os consumidores a optar pela substituição em vez da reparação.
  • Por incompatibilidade
    Relaciona-se principalmente a produtos eletrônicos e software. Após atualizações ou lançamentos de novos modelos, os produtos mais antigos podem perder a funcionalidade devido à falta de suporte ou à incompatibilidade com novos sistemas.
  • Psicológica
    É fortemente influenciada pelo marketing. As empresas criam uma sensação de que os produtos mais antigos são antiquados e incentivam consumidores a buscar as últimas versões, mesmo que as anteriores ainda sejam funcionais.

Em quais contextos o fenômeno está presente?

A obsolescência programada se aplica a uma variedade de produtos, incluindo eletrônicos, eletrodomésticos, roupas, carros ou lâmpadas. Porém, a indústria de tecnologia é a protagonista dessa situação, com lançamentos frequentes de dispositivos eletrônicos que tornam versões anteriores obsoletas em questão de anos, ou até meses.

Entre os principais produtos em que a obsolescência programada atua, estão os celulares, já que fabricantes de aparelhos muitas vezes lançam novos modelos anualmente, tornando os dispositivos mais antigos menos atraentes devido à falta de atualizações de software ou ao suporte limitado.

obsolescência programada lixo eletrônico
A busca por tecnologias cada vez mais avançadas incentiva os consumidores a trocarem seus dispositivos com frequência, gerando um grande volume de lixo eletrônico (Imagem: Freepik)

No caso das roupas, a indústria da moda rápida, também chamada de fast fashion, é conhecida por renovar constantemente as peças. Isso cria uma sensação de obsolescência psicológica, levando os consumidores a descartar roupas perfeitamente utilizáveis em busca das últimas tendências.

Em relação às lâmpadas, as antigas tinham uma vida útil mais longa do que as versões modernas de economia de energia. Porém, as mais novas é que recebem o rótulo de eficientes, incentivando os consumidores a fazer a troca antes do necessário.

Como a obsolescência programada atua na sociedade do consumo?

Essa lógica tem várias implicações econômicas e sociais, como o consumismo desenfreado, já que o modelo de consumo constante pode levar à cultura do desperdício e do excesso, em que os consumidores frequentemente adquirem coisas que não precisam.

Já essa constante necessidade de comprar novos produtos pode levar ao endividamento do consumidor, à medida que as pessoas usam crédito para sustentar seus padrões de consumo.

Outro ponto é o impacto na indústria de reparação: a dificuldade de se reparar produtos devido à
obsolescência programada pode prejudicar as pequenas empresas e a indústria de consertos, à medida que os consumidores optam pela substituição, em vez do reparo.

Além disso tudo, há o desperdício de recursos, fruto da produção excessiva e do descarte de produtos em boas condições, que contribuem para o esgotamento de recursos naturais e para o aumento dos resíduos sólidos.

Quais são as consequências para o meio ambiente?

A obsolescência programada representa uma ameaça significativa ao meio ambiente e é repertório para se explorar em uma redação. Os produtos eletrônicos são um dos exemplos mais evidentes dessa problemática, pois muitos contêm materiais tóxicos e não biodegradáveis. Isso inclui substâncias como o mercúrio, o chumbo, o cádmio e os retardadores de chama bromados.

Problema do lixo eletrônico

Quando esses dispositivos são descartados em aterros sanitários, incinerados ou desmontados de forma inadequada, essas substâncias perigosas podem vazar para o solo, a água e o ar.

Por exemplo: monitores de tubo de raios catódicos (CRT), comuns em monitores e televisores antigos, contêm chumbo em sua composição. A substância pode se infiltrar no solo e contaminar os lençóis freáticos, representando um risco para a saúde humana e a vida selvagem.

Outro aspecto crítico é a exploração desigual que ocorre na gestão de resíduos eletrônicos em nível global. Países ricos, que frequentemente consomem a maior parte dos produtos eletrônicos, têm sistemas de gerenciamento de resíduos mais eficazes e estritos. No entanto, muitos deles simplesmente exportam seu lixo eletrônico para as nações mais pobres.

Isso é frequentemente feito sob o pretexto de reciclagem, mas, na realidade, esses resíduos são normalmente despejados ilegalmente ou desmontados em condições perigosas para a saúde.

Mão de obra desprotegida

Países em desenvolvimento, no qual a regulamentação é muitas vezes mais fraca, acabam se tornando destinos comuns para esses resíduos eletrônicos. Neles, trabalhadores desprotegidos são expostos a substâncias perigosas ao desmontar manualmente dispositivos eletrônicos em busca de componentes valiosos.

Isso cria riscos sérios para a saúde desses trabalhadores e contribui para a contaminação ambiental.

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Como a obsolescência programada impacta a vida das pessoas?

Os consumidores enfrentam várias consequências devido à obsolescência programada, incluindo gastos financeiros, ocasionados pela constante necessidade de substituir produtos, o que pode sobrecarregar
o orçamento pessoal.

Além da frustração, fruto da ideia de possuir dispositivos que se tornam obsoletos rapidamente, mesmo que ainda funcionem bem.

A obsolescência programada pode interferir na vida financeira - pessoa fazendo contas no celular
A obsolescência programada pode interferir na vida financeira (Imagem: wirestock no Freepik)

Há também o impacto psicológico, sobretudo relacionado à publicidade que pode criar sentimentos de inadequação entre os consumidores que não têm os produtos mais recentes.

O que fazer para evitar a obsolescência programada?

Existem várias ações que podem reduzir os efeitos da obsolescência programada:

  • Alguns países aplicam regulamentações para exigir que os fabricantes forneçam informações sobre a vida útil de seus produtos e disponibilizem as peças de reposição a preços razoáveis;
  • Os consumidores podem adotar uma abordagem mais consciente, optando por consumir produto de qualidade e durabilidade comprovadas em vez de só seguir tendências;
  • Outra ação importante é apoiar a indústria de reparação e recondicionamento de produtos, que pode prolongar a vida útil de dispositivos e reduzir o desperdício;
  • Cabe o incentivo à inovação voltada para a sustentabilidade, projetando produtos que durem mais e sejam mais fáceis de reparar.

A obsolescência programada não é apenas um assunto que pode aparecer na proposta de redação do vestibular, esse é um desafio multifacetado que afeta toda a sociedade. Portanto, entender o problema, adotar práticas de consumo responsável e pressionar por mudanças na indústria são etapas importantes em direção a um futuro mais sustentável.

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Carol Firmino

Editora no blog do Aprova Total. Jornalista e doutora em Comunicação pela Unesp, escreve de tudo um pouco, mas hoje se dedica à área da educação. Tem passagens por UOL, B9, Nova Escola e Época Negócios.

Ver mais artigos de Carol Firmino >

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