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Entenda o tema do etarismo e da violência contra a pessoa idosa

Confira repertórios sobre esse assunto, que pode aparecer como proposta de redação do Enem e de vestibulares por todo o país

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O Dia de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado anualmente em 15 de junho, é uma data fundamental para sensibilizar o público sobre as diversas formas de violência e negligência que os idosos enfrentam.

Com o envelhecimento populacional global, é essencial promover o respeito e a dignidade para essa faixa etária, principalmente diante desse tipo de violência, muitas vezes invisível em nossa sociedade.

A discussão sobre etarismo é tão importantes que pode ser tema da redação do Enem e de vestibulares por todo o país. Sendo assim, preparamos este conteúdo para que você entenda mais sobre a data, seus motivadores e como usá-la como repertório.

Origem do Dia de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa

Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Rede Internacional de Prevenção à Violência contra a Pessoa Idosa (INPEA) em 2006, o Dia de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa tem como objetivo destacar a importância de proteger os direitos dos idosos. 

A data deu origem ao Junho Violeta e busca mobilizar governos, organizações e população a adotarem medidas efetivas para prevenir a violência e promover o bem-estar desses indivíduos.

O etarismo como raiz da violência contra a pessoa idosa

Dentre os objetivos do Junho Violeta, o principal deles é combater os fatores que motivam as violências contra este grupo etário, sendo o principal deles o chamado etarismo.

O gerontologista Robert N. Butler cunhou o termo "etarismo" em 1969 para descrever a discriminação contra adultos mais velhos, mas o conceito se expandiu a fim de incluir todas as formas de preconceito relacionadas à idade.

Conhecido também como ageísmo (referência ao termo inglês age), esse é um problema profundamente enraizado em muitas sociedades e pode se manifestar de maneiras sutis e institucionalizadas. 

Causas e manifestações do etarismo

O etarismo pode ser observado em várias áreas da sociedade, como o mercado de trabalho, onde há preferência por profissionais mais jovens em detrimento dos mais velhos.

Essa discriminação se manifesta em processos seletivos, promoções e oportunidades de treinamento, muitas vezes desvalorizando a experiência acumulada ao longo dos anos.

Além disso, políticas institucionais como a aposentadoria compulsória baseada na idade e o acesso limitado a programas de saúde e assistência social para os mais velhos perpetuam o etarismo. 

A mídia também desempenha papel significativo ao reforçar estereótipos negativos sobre as pessoas idosas, retratando-as frequentemente como frágeis, dependentes ou tecnologicamente ineptos​​.

Consequências do etarismo

As consequências do etarismo são amplas e afetam tanto a saúde física quanto a mental:

  • o preconceito relacionado à idade pode levar a um aumento do isolamento social, fazendo que essas pessoas se sintam excluídas e não valorizadas;
  • o sentimento de rejeição impacta negativamente a autoestima e bem-estar emocional, o que pode resultar em problemas como ansiedade ou depressão;
  • esse grupo tende a enfrentar dificuldades adicionais no acesso a serviços de saúde, e sofrer com tratamentos inadequados, falta de apoio psicológico e menor atenção às suas necessidades;
  • estereótipos negativos ainda resultam em menor participação nas atividades preventivas e na recuperação insuficiente após eventos médicos.

Dados sobre a população idosa no Brasil

Veja algumas estatísticas:

  • segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população idosa no Brasil representa cerca de 15% do total​​.
  • em 2021, uma pesquisa revelou que 30% dos idosos no Brasil relataram ter sofrido algum tipo de discriminação por idade​​.
  • a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua/IBGE) de 2017 mostrou que o número de pessoas idosas matriculadas em cursos de graduação aumentou 46,3% desde 2013​​.

Repertórios para redação sobre violência contra a pessoa idosa

Abordar o tema do etarismo em uma redação requer argumentos bem fundamentados. Para ajudar você, reunimos algumas sugestões de repertório:

Histórico e conceito

Em sua origem, o termo criado pelo gerontologista Robert N. Butler, em 1969, era usado para abordar a discriminação contra adultos mais velhos. Mas o conceito de etarismo evoluiu para incluir todas as formas de preconceito relacionadas à idade, afetando tanto jovens quanto idosos.

Ao citar esse histórico, você pode contextualizar a discussão sobre discriminação por idade, destacando como o etarismo se manifesta em várias camadas sociais.

Dados estatísticos

Projeções do IBGE indicam que a população idosa continuará crescendo nas próximas décadas. Estima-se que, em 2060, os as pessoas idosas representarão cerca de 25,5% da população brasileira.

Utilizar esses dados estatísticos atualiza e fortalece seus argumentos, mostrando a relevância da discussão na sociedade atual e a necessidade de políticas públicas para combatê-lo.

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Referências teóricas

O sociólogo Pierre Bourdieu (1930-2002), em suas teorias sobre capital cultural, destaca como a falta de acesso à tecnologia e à educação perpetua a exclusão social dos idosos. 

Referenciar teorias sociológicas reconhecidas amplia a profundidade da análise e demonstra conhecimento teórico. Isso fortalece o seu argumento sobre a necessidade de inclusão e valorização dessas pessoas na sociedade.

Webdocumentário do Aprova Total

Neste episódio do AprovaDocs, desvendamos como o etarismo se manifesta, desde as piadas comuns até a exclusão de profissionais mais velhos do mercado de trabalho.

Exemplos de superação

Personalidades como Stan Lee, Vera Wang e José Saramago se destacaram em idades avançadas, desafiando os estereótipos associados ao envelhecimento. 

Esses exemplos ilustram como a idade não é um limitador para o sucesso, desafiando preconceitos e inspirando mudanças de atitudes na sociedade.

Legislação e políticas públicas

O Estatuto do Idoso no Brasil e a Lei nº 10.741 garantem direitos à pessoa idosa e combatem a discriminação por idade.

Políticas públicas inclusivas são essenciais para proteger essa faixa etária. Destacá-las em sua redação públicas mostra o compromisso legal e institucional em combater o etarismo.

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Filmes e livros

  • Amour (2012): o filme retrata a jornada de um casal idoso enfrentando desafios relacionados à saúde e ao envelhecimento.
  • Up - Altas aventuras (2009): esta animação aborda temas profundos sobre envelhecimento, perdas e renovação da esperança.
  • A velhice (1970): a obra filosófica de Simone de Beauvoir analisa a experiência do envelhecimento, explorando questões de identidade, liberdade e relacionamentos na terceira idade.
  • A longa viagem de volta para casa (2013): no romance de Henri Loevenbruck, lemos sobre a jornada de autoconhecimento e transformação de um homem idoso.

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Carol Firmino

Jornalista e doutora em Comunicação pela Unesp. É editora no blog do Aprova Total e está sempre antenada ao universo da educação, com foco no Enem e na preparação para os grandes vestibulares do país. Tem passagens por Nova Escola, B9, UOL e Época Negócios.

Ver mais artigos de Carol Firmino >

Jornalista e doutora em Comunicação pela Unesp. É editora no blog do Aprova Total e está sempre antenada ao universo da educação, com foco no Enem e na preparação para os grandes vestibulares do país. Tem passagens por Nova Escola, B9, UOL e Época Negócios.

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