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Denotação e conotação: entenda as diferenças e veja exemplos

Entenda o que é denotação e conotação, veja exemplos práticos e aprenda como o Enem e os vestibulares cobram esse conteúdo

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Conotação e denotação são conceitos centrais da semântica que explicam como as palavras produzem sentidos diferentes conforme o contexto em que são utilizadas.

Em determinadas situações, os termos aparecem com significado literal e objetivo; em outras, assumem valores figurados, simbólicos e subjetivos. Compreender essa distinção é fundamental para interpretar textos com mais precisão e profundidade.

Ao longo da preparação para o Enem e outros vestibulares, reconhecer quando uma palavra está sendo usada em sentido literal ou figurado pode ser decisivo para acertar questões de interpretação e aprimorar a redação. Afinal, a linguagem não é fixa: ela se molda à intenção comunicativa, ao gênero textual e ao efeito que o autor deseja provocar no leitor.

Por isso, a seguir, vamos entender as diferenças entre esses dois conceitos.

Conotação e denotação: o que são?

A Língua Portuguesa é extremamente rica e versátil. Uma mesma palavra pode assumir significados diferentes dependendo do contexto em que é usada. É justamente aí que entram dois conceitos fundamentais da semântica: denotação e conotação.

De forma geral, podemos afirmar que:

  • Denotação é o uso da palavra em seu sentido literal, dicionarizado.
  • Conotação é o uso da palavra em sentido figurado, simbólico, ampliado.

Esse "deslocamento" de significado é o que permite a criação de efeitos expressivos, muito explorados na literatura, na publicidade e nas provas de vestibular.

Compreender a diferença entre esses dois sentidos é fundamental não apenas para interpretar textos corretamente, mas também para produzir redações mais sofisticadas.

O que é denotação?

Como explicamos, a denotação ocorre quando a palavra é empregada em seu sentido literal, objetivo e convencional. Trata-se do significado básico que encontramos no dicionário, sem interpretações subjetivas ou simbólicas.

Algumas características da linguagem denotativa são objetividade, clareza, precisão e ausência de ambiguidade. Por isso, é comum em textos científicos, notícias jornalísticas, manuais técnicos, artigos acadêmicos e documentos oficiais, em que o objetivo é transmitir a informação clara e inequívoca.

Exemplos de denotação

"Segundo dados meteorológicos, vai chover acima do esperado amanhã."

Nesse caso, "chover" significa literalmente precipitação de água da atmosfera. Não há metáfora ou simbolismo. Por isso, o sentido literal é predominante.

"O termômetro marcou 38 °C às 14 horas desta terça-feira."

Nesse caso, a expressão indica literalmente a temperatura registrada no ambiente. Não há sentido figurado ou intenção simbólica: trata-se de um dado objetivo e mensurável. Portanto, o sentido utilizado é denotativo.

👉 Leia também: 27 figuras de linguagem que você precisa conhecer

O que é conotação?

A conotação ocorre quando a palavra é usada em sentido figurado, simbólico ou ampliado. Nesse caso, o significado vai além do dicionário e depende do contexto e da interpretação do leitor.

Há presença de subjetividade, criatividade e possibilidade de múltiplas interpretações de um mesmo conteúdo. A conotação costuma estar presente em textos literários.

Exemplos de conotação

"Choveram reclamações no nosso e-mail hoje."

Nesse caso, "chover" não significa precipitação de água da atmosfera. O verbo é usado para indicar grande quantidade de reclamações. Há um deslocamento do sentido literal para um sentido figurado, com intenção expressiva. Portanto, o uso é conotativo.

"Ele explodiu de raiva durante a discussão."

Aqui, a palavra "explodiu" foi empregada para intensificar a ideia de que a pessoa ficou extremamente nervosa. Trata-se de um uso figurado, que busca enfatizar a emoção.

"Aquela notícia caiu como uma bomba."

Nesse exemplo, "bomba" não se refere a um artefato explosivo literal, mas a algo que causou forte impacto ou surpresa. A expressão cria uma imagem simbólica para reforçar a intensidade do acontecimento. Por isso, o uso é claramente conotativo.

Qual a diferença entre denotação e conotação?

A principal diferença está no tipo de significado atribuído à palavra. Veja um resumo:

DenotaçãoConotação
Sentido literalSentido figurado
ObjetividadeSubjetividade
Clareza técnicaExpressividade artística
Uso comum em textos informativosUso comum em textos literários e publicitários

Sentido denotativo e sentido conotativo

Quando falamos em sentido denotativo e sentido conotativo, estamos tratando da maneira como as palavras constroem significado dentro de um texto. A mesma palavra pode assumir significados diferentes dependendo da situação comunicativa, do gênero textual e da intenção de quem escreve ou fala.

É importante destacar que não é a palavra isolada que define se o uso é denotativo ou conotativo, é o contexto. Ou seja, precisamos analisar a frase completa e a intenção comunicativa para entender qual sentido está sendo empregado. Vejamos os exemplos com a palavra "leão":

"O leão vive em regiões da África."

No exemplo, falamos sobre o animal da savana, com uso denotativo, literal.

"Ela devorou o almoço como um leão."

Nesse caso, a palavra simboliza alguém com muita fome, comparando a quando o animal se alimenta da presa. Perceba que o significado muda completamente de acordo com o contexto.

Portanto, se o objetivo é informar com exatidão, tende-se ao uso denotativo. Se a intenção é provocar emoção, criar impacto ou enriquecer o discurso, utiliza-se o sentido conotativo.

Gêneros textuais

Há alguns gêneros textuais em que a denotação ou a conotação são mais presentes. Observamos a predominância do sentido denotativo em:

  • reportagens;
  • artigos científicos;
  • manuais de instruções;
  • leis;
  • relatórios técnicos.

Já o sentido conotativo é mais comum em:

  • poemas;
  • crônicas literárias;
  • romances;
  • músicas;
  • peças de Publicidade.

Isso não significa que um gênero use exclusivamente um tipo, por exemplo, textos jornalísticos podem usar conotação em títulos e poemas podem conter trechos literais. O importante é entender qual é a tendência predominante.

👉 Leia também: Tudo sobre poemas: características, tipos e estrutura

Como denotação e conotação aparecem no Enem e vestibulares

O Enem e os vestibulares exploram denotação e conotação principalmente na parte de interpretação de texto.

As questões costumam cobrar a identificação de sentido figurado, o reconhecimento de metáforas, a análise de efeito de sentido, a interpretação de charges e tirinhas, e a comparação entre linguagem técnica e linguagem literária.

A seguir, vamos conhecer alguns exemplos de questões sobre denotação e conotação que já apareceram nas provas.

Exercício de denotação e conotação no vestibular

(Unesp 2020) Para responder à(s) questão(ões), leia o trecho de uma fala do personagem Quincas Borba, extraída do romance Quincas Borba, de Machado de Assis, publicado originalmente em 1891.

— […] O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é condição da sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas. [...] Aparentemente, há nada mais contristador que uma dessas terríveis pestes que devastam um ponto do globo? E, todavia, esse suposto mal é um benefício, não só porque elimina os organismos fracos, incapazes de resistência, como porque dá lugar à observação, à descoberta da droga curativa. A higiene é filha de podridões seculares; devemo-la a milhões de corrompidos e infectos. Nada se perde, tudo é ganho.

(Quincas Borba, 2016.)

Está empregado em sentido figurado o termo sublinhado em:

a) "nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói".

b) "a supressão de uma é condição da sobrevivência da outra".

c) "Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos".

d) "Daí o caráter conservador e benéfico da guerra".

e) "não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição".

Resposta: [A]
Todas as frases apresentam os termos sublinhados com sentido denotativo, exceto a da opção [A], pois a palavra "canoniza" adquire sentido figurado ao ampliar o seu significado original (reconhecer como santo, segundo as formalidades eclesiásticas), para designar louvor e elogio à determinada ação.

Exercício de denotação e conotação no Enem

(Enem 2024)

Mulher sorridente segura um moletom laranja com a frase “Vou deixar que você se vá” na Campanha do Agasalho 2023 do Rio Grande do Sul, incentivando a doação de roupas para quem precisa.

Nesse cartaz, a expressão “Vou deixar que você se vá”, em conjunto com os elementos não verbais utilizados, tem a finalidade de

a) incentivar o descarte de itens defeituosos.

b) promover a reciclagem de produtos usados.

c) garantir a conservação de roupas de inverno.

d) relacionar o gesto de doação à ideia de desapego.

e) comparar a peça de roupa ao sentimento de despedida.

Resposta: [D]
No cartaz, a frase estampada na blusa está associada a um contexto emocional de despedida. No entanto, nesse caso, ela é usada de forma conotativa. A expressão, junto com os elementos não verbais (a senhora segurando um agasalho e o apelo para doação), constrói a ideia de desapego emocional de algo que já nos pertence, incentivando a doação de roupas para quem precisa. Não se trata de descarte, reciclagem ou conservação, mas de abrir mão voluntariamente de algo em benefício do outro. Portanto, a campanha associa o ato de doar ao sentimento simbólico de deixar ir — reforçando a ideia de solidariedade.

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Érica Travain

Jornalista com 10 anos de experiência na redação de textos para revistas, sites e blogs sobre educação, saúde, comportamento e tecnologia. Colaborou no blog do Aprova Total.

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