Cartografia no Enem: saiba como o tema cai na prova
Os mapas são ferramentas muito utilizadas nas provas. Eles aparecem em questões de geopolítica, meio ambiente, clima, demografia, entre outros assuntos

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A cartografia Enem envolve muito mais do que decorar nomes de projeções. Ela exige que o estudante compreenda como representações do espaço — como mapas, plantas e croquis — são construídas e interpretadas.
Um dos principais desafios da cartografia é representar a superfície curva do planeta (3D) em uma folha plana (2D). Para isso, são utilizadas diferentes projeções cartográficas, que adaptam a forma da Terra a uma superfície plana com base em objetivos específicos.
Apesar de o tema “projeções cartográficas” não aparecer com frequência nas questões do Enem — foram apenas 3 nos últimos 8 anos, segundo o dossiê do Aprova Total —, os mapas continuam sendo ferramentas muito utilizadas nas provas. Eles aparecem em questões de geopolítica, meio ambiente, clima, demografia, entre outros assuntos.
Por isso, mais importante do que decorar tipos de projeções, é saber interpretar os mapas que surgem na prova: identificar escalas, localizar fenômenos, analisar legendas e entender o propósito daquele tipo de representação. Esses são os verdadeiros diferenciais de quem se dá bem em Geografia no Enem.
NAVEGUE PELOS CONTEÚDOS
Resumo: principais conceitos de cartografia para o Enem
Nas questões que cobraram cartografia nos últimos anos do Enem, destacam-se:
Cálculo de escala
Envolve a relação entre a distância no mapa e a distância real no terreno, sendo essencial para estimar proporções e localizar eventos com precisão.
Projeções cartográficas
Dizem respeito às diferentes formas de representar a superfície terrestre em um plano, cada uma com distorções e finalidades específicas.
Cartografia temática
Refere-se ao uso de mapas para representar fenômenos diversos, como densidade populacional, clima, relevo e distribuição de recursos, exigindo leitura crítica dos dados apresentados.
Vamos nos aprofundar em cada um deles a seguir:
Escala
Ao representar um terreno em um mapa, é preciso reduzir as proporções do terreno para caber em uma folha de papel. A proporção entre o tamanho real e o tamanho do desenho é o que se entende por escala.
Assim, a escala vai indicar o quanto o terreno foi reduzido para caber no mapa. Pode ser por escalas numéricas ou por escalas gráficas.
- Escala numérica: número em fração que indica o quanto o terreno foi reduzido. Normalmente indicado assim: 1:500.000, 1:12.500 ou 1:8.000.
Isso significa que, a cada 1 centímetro que seja medido, no mapa precisa ser multiplicado por aquele denominador (500.000, 12.500 e 8.000, respectivamente), para então se saber a distância em campo (no mundo real).
Então, se um mapa tem escala de 1:6.000 e você mediu uma estrada de 7 centímetros. Multiplique os 7cm por 6.000, resultam em 42.000 centímetros, que correspondem a 420 metros.
Existe uma fórmula bem simples para se calcular as distâncias medidas em um mapa na realidade:

Se o mapa não indicar o valor da escala, é possível calcular com a mesma fórmula. Exemplo: se a distância real é de 15 km e no mapa a distância no mapa é de 5 centímetros.
Primeiro colocamos os dois valores na mesma unidade de medida. Podemos colocar tudo em centímetros, em metros, quilômetros, não importa.
O importante é que entrem com a mesma unidade de medida na fórmula.
Então:
- 5 centímetros são 0,05 metros
- 15 quilômetros são 15.000 metros
- 0,05m / 15.000m = 300.000 (aqui o resultado perde a unidade de medida “corta-se o m”)
- Então a Escala é 1:300.000
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Projeções cartográficas
As projeções são feitas do globo sobre superfícies que podem ser planas, cônicas ou cilíndricas, vejamos esses três tipos:

A seguir, você confere mais sobre elas:
Projeção cilíndrica
É como se uma folha envolvesse o globo terrestre, de ponta a ponta, como se fosse um cilindro ou um cano. A parte do globo tem contato direto com esse cilindro.
Se esse cilindro for feito com a superfície de projeção própria para a linha do Equador, isso deixará as partes do globo mais próximas da linha do Equador com menor distorção, mas com distorções maiores nos polos

Projeção de Mercator
Uma das projeções cilíndricas mais comuns é a projeção feita por Gerard Mercator, cilíndrica e conforme. Mantendo as formas das coisas, as coordenadas angulares e as direções, ideal para navegações.
Por isso, um dos mapas cilíndricos mais usados é o mapa de Mercator, do século 16, em plena Era das Navegações. Porém, esse formato dá uma área muito maior para as porções terrestres mais próximas aos polos, fazendo a Groenlândia parecer maior que o continente africano inteiro.

Projeção de Peters
Outra projeção cilíndrica muito utilizada é a Projeção de Arno Peters, do século 20. Peters desenvolveu um mapa para projetar o 3° mundo, no contexto da Guerra Fria, ele preserva a proporção entre as áreas, mas distorce as formas, com propriedades equivalentes.

Projeção de Robinson
Arthur Robinson, cartógrafo e geógrafo norte-americano, criou a sua projeção na década de 1960. Em sua classificação, ela é cilíndrica, sendo uma das projeções mais famosas no mundo. Robinson, encontrou um meio termo, em que essa projeção não preserva nem a forma nem as áreas corretas do continente, mas ela consegue minimizar essas distorções.
Sendo assim, ela é ideal para mapas que procuram realizar a representação da Terra como um todo, fazendo com que essa projeção seja a mais utilizada em mapas e atlas, utilizada inclusive como o mapa-múndi da Terra.

Projeção cônica
É realizada na superfície de projeção de formato cônico, parecendo uma casquinha de sorvete, e o globo fica completamente dentro deste cone. Esse método permite mapear só um hemisfério por vez, havendo distorções maiores na linha do Equador e nos polos, porém, é ideal para representar as regiões de latitude média.
Esse tipo de projeção fornecerá mapas com as linhas paralelas em uma forma curva. Um exemplo é a projeção de John Heinrich Lambert, desenvolvida no século 18. Trata-se de uma projeção cônica conforme

Projeção plana
Podem ser chamadas de polares, azimutais ou tangenciais. Quando a superfície de projeção acontece sobre uma superfície de forma plana. Serve para projetar lugares específicos, como um país, mas é normalmente usada para representação dos polos, tanto da Antártida quanto do Polo Norte.
Um dos mapas mais conhecidos de projeção plana é a do mapa que ilustra a bandeira da ONU. Nas projeções planas, a porção do mapa com menos distorção está no centro da projeção e vai aumentando em direção à borda.
Apesar de as projeções planas serem mais famosas por representarem os polos, esse método pode ser usado para qualquer lugar do globo.

Cartografia temática
A expressão vem sendo usada há muito tempo para dar ênfase às possibilidades de uso dos recursos visuais de maneira direcionada à representação de temas ou dos mais diversos assuntos.
Os mapeamentos temáticos são realizados sempre a partir da composição de um mapa-base, ou de um fundo de mapa, do espaço que se está estudando ou que se pretende abordar.
Confira agora alguns tipos de mapas temáticos:
Mapa físico
Os físicos representam a superfície física da Terra, como forma do relevo, hipsometria (altitude), clima, hidrografia e outros elementos.

Mapa político
Define as fronteiras territoriais entre municípios, estados e países, geralmente indicando os nomes dessas áreas e suas respectivas capitais, quando aplicável.

Mapa econômico
Demonstram as diversas atividades econômicas realizadas em diferentes níveis territoriais. Além disso, os mapas econômicos podem organizar o Produto Interno Bruto (PIB) dos territórios, apresentar a distribuição espacial da População Economicamente Ativa (PEA) e outros dados.
Mapa demográfico
Mostram a distribuição da população em um território específico, sua concentração (densidade demográfica), indicadores demográficos e outros aspectos populacionais que podem ser representados no espaço.
Mapas históricos
Ilustram aspectos de um território em determinado momento do passado histórico, como a divisão política, exemplo dos mapas que mostram as capitanias hereditárias no Brasil, a distribuição populacional, as atividades econômicas e também as características físicas.
Mapa topográfico
Podemos ter mapas que representam o relevo de forma diferente, através de curvas de nível. Normalmente estes tipos de mapa são utilizados em menores áreas, como um bairro ou uma bacia hidrográfica.

Anamorfose
Diferente dos outros mapas temáticos, onde as informações quantitativas são representadas por símbolos e cores, nos mapas estilizados a forma e o tamanho dos polígonos variam proporcionalmente à variável em questão.
Por exemplo, ao considerarmos a emissão de carbono dos países da América, um mapa resultante mostrará os países que mais emitem em tamanho maior do que aqueles com menor emissão de CO², conforme ilustrado abaixo.

Cartografia no Enem: exercícios resolvidos
Nos últimos anos, poucas questões do Enem abordaram conceitos de cartografia, Veja os exemplos:
Exemplo 1
(Enem 2016)

A ONU faz referência a uma projeção cartográfica em seu logotipo. A figura que ilustra o modelo dessa projeção é:
a)

b)

c)

d)

e)

Resposta: [D]
O logotipo da ONU mostra uma visão dos continentes a partir do polo norte, com os meridianos irradiando do centro para as bordas. A projeção cilíndrica projeta o globo em um cilindro, normalmente representando o equador no centro; a projeção cônica projeta o globo em um cone, geralmente centrado em latitudes médias; já a projeção plana (azimutal) projeta o globo em um plano, frequentemente a partir de um polo ou de um ponto específico. Portanto, a projeção usada no logotipo da ONU é a projeção plana (ou azimutal) centrada no polo norte.
Exemplo 2
(Enem 2022)

Considerando-se que a distância entre o local onde os destroços do avião foram avistados e a cidade de Perth é de 2 cm, a escala aproximada dessa representação cartográfica é:
a) 1 : 12.500
b) 1 : 125.000
c) 1 : 1.250.000
d) 1 : 12.500.000
e) 1 : 125.000.000
Resposta: [E]
Para resolver essa questão, devemos entender o conceito de escala em mapas, que é expressa na forma 1:x, significando que "1 unidade no mapa corresponde a x unidades na realidade". Assim, primeiramente, convertemos a distância real de quilômetros para centímetros, considerando que 1 quilômetro é igual a 100.000 centímetros (1 km = 1000 m e 1 m = 100 cm). Depois, aplicamos uma regra de três simples para encontrar a escala.





