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Livros obrigatórios da Fuvest 2026 a 2028 serão só de autores mulheres

A mudança tem o objetivo de valorizar esse tipo de produção literária e combater décadas de invisibilidade. Entres os nomes escolhidos estão Conceição Evaristo, Djaimilia Pereira de Almeida, Lygia Fagundes Telles e outras

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Nesta quarta-feira (22), a Fuvest divulgou novos livros para leitura obrigatória nos vestibulares da Universidade de São Paulo (USP) de 2026 a 2029. A Fundação já havia compartilhado as obras que vão integrar as provas de 2024 a 2026, mas renovou a lista desse último ano, que, a princípio, trazia apenas uma autora (Ruth Guimarães, com Água funda), e aproveitou para indicar o que cobrará nas edições seguintes.

Segundo Maria Arminda do Nascimento Arruda, presidente do Conselho Curador da FUVEST e vice-reitora, essa renovação se justifica pela necessidade de se valorizar o papel das mulheres na Literatura, não apenas como personagens, mas como autoras. "Muitas delas foram alvo de décadas de invisibilidade pelo fato de serem mulheres", afirmou.

Agora, pela 1ª vez na história, as lista da Fuvest para os vestibulares de 2026 a 2028 terão livros escritos apenas por mulheres. São elas: Clarice Lispector, Conceição Evaristo, Djaimilia Pereira de Almeida, Julia Lopes de Almeida, Lygia Fagundes Telles, Narcisa Amália, Nísia Floresta, Paulina Chiziane, Rachel de Queiroz e Sophia de Mello Breyner Andresen.

Essa é uma "mudança corajosa e necessária", de acordo com Aluísio Cotrim Segurado, pró-reitor de graduação da USP e membro do Conselho da Fundação. A partir de 2029, os autores voltam a aparecer - Machado de Assis, Erico Verissimo e Luís Bernardo Honwana foram os nomes escolhidos.

Gustavo Ferraz de Campos Monaco, diretor executivo da Fuvest, afirma que esse movimento para evidenciar a produção literária de mulheres se baseia na importância de abordar "diferentes períodos históricos, nos mais variados gêneros literários, com perspectivas diversas", diz. Dessa maneira, usa-se a literatura como uma "ferramenta de reflexão e transformação social", completa o diretor.

Livros para o vestibular da Fuvest

Confira a lista de obras obrigatórias para os vestibulares da Fuvest de 2026 a 2029.

Fuvest 2026

  • Opúsculo Humanitário (1853) – Nísia Floresta
  • Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
  • Memórias de Martha (1899) – Julia Lopes de Almeida
  • Caminho de pedras (1937) – Rachel de Queiroz
  • O Cristo Cigano (1961) – Sophia de Mello Breyner Andresen
  • As meninas (1973) – Lygia Fagundes Telles
  • Balada de amor ao vento (1990) – Paulina Chiziane
  • Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
  • A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida

Fuvest 2027

  • Opúsculo Humanitário (1853) – Nísia Floresta
  • Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
  • Memórias de Martha (1899) – Julia Lopes de Almeida
  • Caminho de pedras (1937) – Rachel de Queiroz
  • A paixão segundo G. H. (1964) – Clarice Lispector
  • Geografia (1967) – Sophia de Mello Breyner Andresen
  • Balada de amor ao vento (1990) – Paulina Chiziane
  • Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
  • A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida

Fuvest 2028

  • Conselhos à minha filha (1842) – Nísia Floresta
  • Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
  • Memórias de Martha (1899) – Julia Lopes de Almeida
  • João Miguel (1932) – Rachel de Queiroz
  • A paixão segundo G. H. (1964) – Clarice Lispector
  • Geografia (1967) – Sophia de Mello Breyner Andresen
  • Balada de amor ao vento (1990) – Paulina Chiziane
  • Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
  • A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida

Fuvest 2029

  • Conselhos à minha filha (1842) – Nísia Floresta
  • Nebulosas (1872) – Narcisa Amália
  • D. Casmurro (1899) – Machado de Assis
  • João Miguel (1932) – Rachel de Queiroz
  • Nós matamos o cão tinhoso! (1964) – Luís Bernardo Honwana
  • Geografia (1967) – Sophia de Mello Breyner Andresen
  • Incidente em Antares (1970) – Érico Veríssimo
  • Canção para ninar menino grande (2018) – Conceição Evaristo
  • A visão das plantas (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida

Na lista de 2029, quatro livros são de autoras e autores negros: Machado de Assis, Luís Bernardo Honwana, Conceição Evaristo e Djaimilia Pereira de Almeida.

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Vamos relembrar as listas com as obras confirmadas para 2024 e 2025?

Fuvest 2024

  • Marília de Dirceu (1792) - Tomás Antônio Gonzaga
  • Quincas Borba (1891) - Machado de Assis
  • Angústia (1936) - Graciliano Ramos
  • Alguma poesia (1930) - Carlos Drummond de Andrade
  • Mensagem (1934) - Fernando Pessoa
  • Nós matamos o cão tinhoso! (1964) - Luís Bernardo Honwana
  • Campo geral (1964) - Guimarães Rosa
  • Romanceiro da Inconfidência (1953) - Cecília Meireles
  • Dois irmãos (2000) - Milton Hatoum

Fuvest 2025

  • Marília de Dirceu (1792) - Tomás Antônio Gonzaga
  • Quincas Borba (1891) - Machado de Assis
  • Os ratos (1944) - Dyonélio Machado
  • Alguma poesia (1930) - Carlos Drummond de Andrade
  • A ilustre casa de Ramires (1900) – Eça de Queirós
  • Nós matamos o cão tinhoso! (1964) - Luís Bernardo Honwana
  • Água funda (1946) – Ruth Guimarães
  • Romanceiro da Inconfidência (1953) - Cecília Meireles
  • Dois irmãos (2000) - Milton Hatoum
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Quem são as novas autoras escolhidas pela Fuvest?

Com a atualização da listas de 2026 a 2029, alguns nomes inéditos apareceram, veja:

Nísia Floresta (1810-1885)

Dionísia Gonçalves Pinto, considerada a primeira educadora e jornalista feminista do Brasil, escolheu o pseudônimo Nísia Floresta Brasileira Augusta. Ela nasceu no Rio Grande do Norte, e denunciou nas suas obras as injustiças cometidas contra os negros escravizados e os indígenas brasileiros.

Narcisa Amália (1852-1924)

Educadora, poetisa e a primeira mulher a trabalhar profissionalmente como jornalista no Brasil. Representou uma das poucas vozes femininas de sua época que promoveu a ideia de identidade nacional. Também foi antiescravista e republicana.

Julia Lopes de Almeida (1862-1934)

Escritora, cronista e teatróloga, foi também uma das idealizadoras da Academia Brasileira de Letras, de cuja lista de fundadores foi posteriormente excluída para manter a Academia exclusivamente masculina. Em seu lugar, incluiu-se o nome do poeta português Filinto de Almeida, seu marido, popularmente conhecido como o “acadêmico consorte”.

Rachel de Queiroz (1910-2003)

Primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras e a receber o Prêmio Camões, Rachel de Queiroz é destaque da literatura social nordestina. Extremamente hábil na análise psicológica de seus personagens, ela estreou na literatura aos 19 anos.

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004)

Proveniente de uma família de origem aristocrática portuguesa, Sophia foi poetisa, contista e escritora de literatura infantil. Acreditava que a poesia tinha valor transformador fundamental e que era algo que lhe acontecia, como afirmara antes dela Fernando Pessoa. Foi a segunda mulher a receber o Prêmio Camões.

Clarice Lispector (1920-1977)

De origem ucraniana, Chaya Pinkhasivna Lispector emigrou para o Brasil em 1922 com seus familiares em razão da perseguição sofrida pelos judeus ucranianos em sua terra natal. Ela traz em sua obra traços bastante específicos como a ruptura com a narrativa factual, o uso intenso de um fluxo de consciência na escrita e de metáforas insólitas - ou inesperadas.

Lygia Fagundes Telles (1918-2022)

Destacou-se como contista, mas foi também uma importante romancista. Membro da Academia Brasileira de Letras, foi a segunda brasileira laureada com o Prêmio Camões e reconhecida, ainda em vida, como uma escritora primorosa por seus pares nacionais e internacionais, que a alcunharam “a grande dama da literatura brasileira”.

Conceição Evaristo

Poeta, contista e romancista brasileira, Maria da Conceição Evaristo de Brito aborda em suas obras temas de relevância, como a discriminação racial, de gênero e social. É considerada uma das principais representantes do movimento pós-Modernista no Brasil.

Professora universitária, tomou posse, em 2022, como responsável pela Cátedra Olavo Setúbal de Arte, Cultura e Ciência do Instituto de Estudos Avançados da USP. Cunhou a expressão escrevivência para descrever o processo criativo de sua obra.

Paulina Chiziane

Moçambicana, Paulina nasceu no subúrbio de Maputo. Ela teve uma notável atuação política em seu país durante o período da independência, mas se afastou e passou a se dedicar à literatura, vivendo na província de Zambézia. É a primeira mulher a publicar um romance em Moçambique e a primeira africana a ser agraciada com o Prêmio Camões.

Djaimilia Pereira de Almeida

Ana Djaimilia dos Santos Pereira de Almeida Brito é a pessoa mais jovem a figurar na lista de leitura obrigatória da Fuvest. Nasceu em Angola e passou boa parte de sua vida em Portugal, onde se licenciou em Estudos Portugueses e obteve o título de Doutora em Teoria da Literatura. É professora da New York University e venceu o Prêmio Oceanos.

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Carol Firmino

Editora no blog do Aprova Total. Jornalista e doutora em Comunicação pela Unesp, escreve de tudo um pouco, mas hoje se dedica à área da educação. Tem passagens por UOL, B9, Nova Escola e Época Negócios.

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