ENEM Filosofia e Sociologia

Filosofia no Enem 2024: top 5 assuntos cobrados na prova

O exame costuma cobrar questões referentes à filosofia clássica ocidental. A seguir, você confere os 5 temas mais recorrentes nos últimos anos

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A prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ainda não teve data revelada para 2024, mas a preparação ocorre o ano inteiro, não é? E isso inclui entender quais assuntos mais aparecem em cada disciplina. E aqui, vamos falar sobre o que mais cai em Filosofia no Enem!

O exame costuma cobrar questões referentes à filosofia antiga, mas recentemente a filosofia moderna vem conquistando espaço. Diante disso, os cinco assuntos mais frequentes nos últimos anos foram filosofia antiga, filosofia moderna, mal e justiça, filosofia política e existencialismo.

Vamos conferir o que é cobrado em cada um deles?

Assuntos de Filosofia que mais caem no Enem

Como sabemos o que mais cai em Filosofia no Enem? Por meio de um estudo minucioso das aplicações regulares da prova desde 2016!

O Aprova Total oferece um relatório completíssimo e exclusivo para assinantes da plataforma sobre a incidência de temas no Enem e em outros grandes vestibulares do país. Isso porque a incidência ajuda você a entender quais tópicos de estudo não podem faltar na sua rotina.

Abaixo, você confere um ranking e um gráfico dos principais temas das questões de Filosofia no Enem:

  1. Filosofia antiga;
  2. Filosofia moderna;
  3. Mal e justiça;
  4. Filosofia política;
  5. Existencialismo.

Gráfico de pizza com temas de filosofia com maior incidência no Enem
(Imagem: Aprova Total)

Antes de tratar desses temas com mais profundidade, queremos mostrar como identificar os exercícios de Filosofia na prova, afinal, a disciplina aparece em meio aos outros exercícios de humanidades.

Reconhecendo questões de Filosofia no Enem

As questões de Filosofia são apresentadas com, pelo menos, um texto de apoio, que pode ser de filósofos ou de especialistas, que costumam comentá-los.

Mas, para além dessa característica, fica aqui uma dica importante: muitas vezes, a resposta de uma questão é entregue na fonte. O que isso quer dizer? Confira o exemplo a seguir. 👇

Modelo de questão de Filosofia no Enem

(Enem PPL 2019) Tomemos o exemplo de Sócrates: é precisamente ele quem interpela as pessoas na rua, os jovens no ginásio, perguntando: “Tu te ocupas de ti?” O deus o encarregou disso, é sua missão, e ele não a abandonará, mesmo no momento em que for ameaçado de morte. Ele é certamente o homem que cuida do cuidado dos outros: esta é a posição particular do filósofo.

FOUCAULT, M. Ditos e escritos. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.

O fragmento evoca o seguinte princípio moral da filosofia socrática, presente em sua ação dialógica: 

a) Examinar a própria vida.

b) Ironizar o seu oponente.

c) Sofismar com a verdade.

d) Debater visando a aporia.

e) Desprezar a virtude alheia.

Resposta: [A]
E como a dica da fonte se aplica neste caso? Sócrates é um dos tópicos principais nos estudos da filosofia antiga. Assim, com um conhecimento básico da área e do filósofo, é possível identificar, logo no questionamento “tu te ocupas de ti?”, o princípio do exame da própria vida, comumente exemplificado na frase “conhece a ti mesmo”, famosa por inspirar a filosofia de Sócrates.

Como ir bem em Filosofia no Enem?

A Filosofia no Enem pode até parecer interpretativa, mas é essencial estudar os temas principais da disciplina para não se distrair com as demais alternativas.

Por exemplo, em uma questão sobre Platão, pode haver uma alternativa que parece correta porque está coerente com as ideias do texto. No entanto, ela pode conter conceitos de Santo Agostinho de Hipona, um dos filósofos que se inspirou no platonismo.

Ou seja, se você não sabe quais são as diferenças e as semelhanças entre as teses desses dois filósofos, pode confundi-los e se complicar com uma pergunta, teoricamente, mais simples.

O que cai em Filosofia no Enem?

Agora vamos ao top 5 assuntos de Filosofia no Enem, feito a partir da análise das provas dos últimos anos:

1. Filosofia antiga

A filosofia antiga é o primeiro dos períodos que a filosofia clássica ocidental costuma tratar - e o que mais cai em Filosofia no Enem. Nela, estudamos três autores clássicos gregos: Sócrates, Platão e Aristóteles.

Porém, antes mesmo dos clássicos gregos, os pré-socráticos já estavam por aí. Na prova, eles tendem a aparecer de duas formas: pode ser em um texto que apresenta o contexto do período e as ideias do filósofo; ou em uma questão sobre os elementos e as teorias dos pré-socráticos de maior destaque.

São eles: Tales de Mileto, Anaximandro, Anaxímenes, Pitágoras, Heráclito, Empédocles, Anaxágoras e Demócrito.

Exemplo de questão de filosofia antiga no Enem

(Enem PPL 2020) Se os filósofos não forem reis nas cidades ou se os que hoje são chamados reis e soberanos não forem filósofos genuínos e capazes e se, numa mesma pessoa, não coincidirem poder político e filosofia e não for barrada agora, sob coerção, a caminhada das diversas naturezas que, em separado buscam uma dessas duas metas, não é possível, caro Glaucon, que haja para as cidades uma trégua de males e, penso, nem para o gênero humano.

PLATÃO. A República. São Paulo: Martins Fontes, 2014.

A tese apresentada pressupõe a necessidade do conhecimento verdadeiro para a

a) superação de entraves dialógicos.

b) organização de uma sociedade justa.

c) formação de um saber enciclopédico.

d) promoção da igualdade dos cidadãos.

e) consolidação de uma democracia direta.

Resposta: [B]
A resposta correta [B], ressalta a tese de Platão sobre a necessidade de os governantes possuírem conhecimento verdadeiro e filosófico para estabelecer uma sociedade justa. No diálogo de "A República", Platão argumenta que a união entre o poder político e a filosofia verdadeira é essencial para superar os males que afligem as cidades e a humanidade, propondo que apenas filósofos reis poderiam garantir a justiça e o bem-estar geral.

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2. Filosofia moderna

A filosofia moderna aparece no Enem com o principal embate da época: as discussões entre racionalismo e empirismo. De um lado, René Descartes defende as ideias do racionalismo; do outro, os filósofos John Locke e David Hume argumentam a favor do empirismo.

Autores que também fazem parte desse período da Filosofia e que já deram as caras na prova do Enem foram o empirista Francis Bacon e o criticista Immanuel Kant.

Questões relacionadas à filosofia moderna podem ter diferentes formatos. Algumas trazem textos isolados de filósofos, enquanto outras propõem a comparação de trechos e do pensamento de cada um dos autores.

Exemplo de questão de filosofia moderna no Enem

(Enem 2021) A filosofia é como uma árvore, cujas raízes são a metafísica; o tronco, a física, e os ramos que saem do tronco são todas as outras ciências, que se reduzem a três principais: a medicina, a mecânica e a moral, entendendo por moral a mais elevada e a mais perfeita porque pressupõe um saber integral das outras ciências, e é o último grau da sabedoria.

DESCARTES, R. Princípios da filosofia. Lisboa: Edições 70, 1997 (adaptado).

Essa construção alegórica de Descartes, acerca da condição epistemológica da filosofia, tem como objetivo

a) sustentar a unidade essencial do conhecimento.

b) refutar o elemento fundamental das crenças.

c) impulsionar o pensamento especulativo.

d) recepcionar o método experimental.

e) incentivar a suspensão dos juízos.

Resposta: [A]
O objetivo de Descartes de sustentar a unidade essencial do conhecimento. Na sua construção alegórica, Descartes compara a filosofia a uma árvore, com a metafísica como raízes, a física como tronco, e ramos representando outras ciências, destacando que todas as áreas do saber estão interconectadas. A moral, vista como o ramo mais elevado, simboliza o culminar da sabedoria, integrando todos os outros campos de conhecimento.

3. Mal e justiça

Dando um salto no tempo, os filósofos que pensam sobre a questão do mal e da justiça são Michel Foucault, John Rawls e Hannah Arendt. Eles são pensadores contemporâneos, que viveram entre os séculos 20 e 21, e o terceiro assunto que mais cai em Filosofia no Enem.

Foucault trata da dominação dos corpos e da microfísica do poder, trazendo importantes reflexões sobre a violência, o encarceramento e as questões da justiça. Filósofa contemporânea, Hanna Arendt também aparece nas questões de Filosofia do Enem

Hannah Arendt

Hannah Arendt foi uma filósofa alemã de origem judaica. Sua obra mais famosa é Eichmann em Jerusalém: um retrato da banalidade do mal, em que relata o julgamento de um tenente-coronel nazista, Adolf Eichmann.

Ela reflete sobre como foi possível alguém agir com tamanha monstruosidade e chega à conclusão de que Eichmann era incapaz de pensar por si próprio. O mal ser banal não priva os atos maléficos de seu horror.

(Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons/Barbara Niggl Radloff)

O filósofo estadunidense John Rawls, por sua vez, viveu até 2002 e defendia o liberalismo político. Ele escreve sobre a teoria da justiça a partir de três princípios:

  1. Princípio da igual liberdade (e direitos básicos);
  2. Princípio da diferença (social e econômica);
  3. Princípio da igualdade de oportunidades (trazendo vantagens para os membros mais desfavorecidos da sociedade). A justiça, na teoria de Rawls, é entendida como a ideia de equidade. 

Exemplo de questão de mal e justiça no Enem

(Enem 2022) Sempre que a relevância do discurso entra em jogo, a questão torna-se política por definição, pois é o discurso que faz do homem um ser político. E tudo que os homens fazem, sabem ou experimentam só tem sentido na medida em que pode ser discutido. Haverá, talvez, verdades que ficam além da linguagem e que podem ser de grande relevância para o homem no singular, isto é, para o homem que, seja o que for, não é um ser político. Mas homens no plural, isto é, os homens que vivem e se movem e agem neste mundo, só podem experimentar o significado das coisas por poderem falar e ser inteligíveis entre si e consigo mesmos.

ARENDT, H. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.

No trecho, a filósofa Hannah Arendt mostra a importância da linguagem no processo de

a) entendimento da cultura.

b) aumento da criatividade.

c) percepção da individualidade.

d) melhoria da técnica.

e) construção da sociabilidade

Resposta: [E]
Hannah Arendt valoriza a linguagem na construção da sociabilidade. No trecho, Arendt argumenta que o discurso é essencial para a experiência humana compartilhada e a política, visto que a capacidade de discutir e ser compreendido define a natureza política dos seres humanos. Assim, o significado das ações e experiências só se torna acessível através da comunicação efetiva entre indivíduos.

4. Filosofia política moderna

Os filósofos da teoria política moderna são Nicolau Maquiavel, Thomas Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau. Maquiavel é conhecido como o pai da ciência política moderna, enquanto Locke, Hobbes e Rousseau são os chamados filósofos contratualistas.

Maquiavel geralmente aparece nos vestibulares com a sua obra O Príncipe. Então, uma dica para sair na frente é ler o texto, que é bem curtinho e fácil de entender.

Já os filósofos contratualistas apresentam diferentes visões sobre as mesmas “pautas”, que são: o estado de natureza, o contrato social e as formas de governo.

Exemplo de questão de filosofia política moderna no Enem

(Enem 2019) Para Maquiavel, quando um homem decide dizer a verdade pondo em risco a própria integridade física, tal resolução diz respeito apenas a sua pessoa. Mas se esse mesmo homem é um chefe de Estado, os critérios pessoais não são mais adequados para decidir sobre ações cujas consequências se tornam tão amplas, já que o prejuízo não será apenas individual, mas coletivo. Nesse caso, conforme as circunstâncias e os fins a serem atingidos, pode-se decidir que o melhor para o bem comum seja mentir.

ARANHA, M. L. Maquiavel: a lógica da força. São Paulo: Moderna, 2006 (adaptado).

O texto aponta uma inovação na teoria política na época moderna expressa na distinção entre

a) idealidade e efetividade da moral.

b) nulidade e preservabilidade da liberdade.

c) ilegalidade e legitimidade do governante.

d) verificabilidade e possibilidade da verdade.

e) objetividade e subjetividade do conhecimento

Resposta: [A]
A inovação de Maquiavel na teoria política moderna ao diferenciar a moralidade pessoal da pública. O texto sugere que um governante, ao contrário de um indivíduo privado, pode precisar mentir para proteger o bem comum, ilustrando a separação entre a ética pessoal e as exigências da governança, onde as decisões devem priorizar os interesses coletivos, mesmo que isso implique em ações moralmente questionáveis a nível pessoal.

5. Existencialismo

O existencialismo se refere a um pensamento filosófico que parte do princípio de que não existe uma natureza humana, pois a existência do ser humano é anterior à sua essência. Em sua abordagem, discute também sobre a liberdade e a responsabilidade da escolha.

Há uma diferenciação entre os filósofos existencialistas alemães e franceses, apesar de nem todos serem dessas localidades. Entre os existencialistas alemães, podemos destacar Karl Jaspers, Friedrich Nietzsche, podendo ser interpretado dessa maneira a partir do próprio Jaspers, e Marin Heidegger.

No Enem, os principais pensadores que aparecem são os franceses. Entre os destaques, estão Albert Camus, Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre, sendo os dois últimos os que possuem mais aparições entre os existencialistas.

Para entender um pouco mais, Simone de Beauvoir foi uma filósofa e feminista francesa que viveu entre 1908 e 1986. Sua obra mais famosa, O segundo sexo, destrincha a condição do “ser mulher” na sociedade. Já Sartre representa o existencialismo ateu. Na obra O existencialismo é um humanismo (1946), traz a célere frase que marca esse pensamento filosófico: “A existência precede a essência”.

Exemplo de questão de existencialismo no Enem

(Enem 2020) Em A morte de Ivan IIitch, Tolstoi descreve com detalhes repulsivos o terror de encarar a morte iminente. Ilitch adoece depois de um pequeno acidente e logo compreende que se encaminha para o fim de modo impossível de parar. “Nas profundezas de seu coração, ele sabia estar morrendo, mas em vez de se acostumar com a ideia, simplesmente não o fazia e não conseguia compreendê-la”.

KAZEZ, J. O peso das coisas: filosofia para o bem-viver. Rio de Janeiro: Tinta Negra, 2004.

O texto descreve a experiência do personagem de Tolstoi diante de um aspecto incontornável de nossas vidas. Esse aspecto foi um tema central na tradição filosófica

a) marxista, no contexto do materialismo histórico.

b) logicista, no propósito de entendimento dos fatos.

c) utilitarista, no sentido da racionalidade das ações.

d) pós-modernista, na discussão da fluidez das relações.

e) existencialista, na questão do reconhecimento de si.

Resposta: [E]
A experiência do personagem Ivan Ilitch, descrita por Tolstoi, é central na tradição filosófica existencialista, particularmente na questão do reconhecimento de si. O texto retrata o desafio enfrentado por Ilitch ao encarar sua mortalidade, um tema frequentemente explorado no existencialismo, que enfatiza a confrontação do indivíduo com a finitude e a busca por significado pessoal na vida, especialmente diante da inevitabilidade da morte.

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Colaborou neste post: Denner Vieira

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Giulia Silvestre Rocha

Graduanda em Ciências Sociais (licenciatura) pela UFSC e colaboradora do blog do Aprova Total.

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