Biologia

O que é a Febre do Oropouche, doença muito confundida com a dengue

Com prevalência na região Norte do Brasil, novos casos em Mato Grosso, Piauí, Rio de Janeiro, Bahia e Santa Catarina acenderam o alerta das autoridades

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O que é a Febre do Oropouche e por que ela está se espalhando pelo Brasil? Essa é uma enfermidade provocada pelo arbovírus Orthobunyavirus, pertencente à família Peribunyaviridae. O vírus foi identificado pela primeira vez em terras brasileiras no ano de 1960, em uma amostra de sangue de um bicho-preguiça.

Desde essa época, casos e surtos têm sido relatados no país, principalmente na região Amazônica, além de ocorrências em outros lugares das Américas Central e do Sul, como Panamá, Argentina, Bolívia, Equador, Peru e Venezuela.

A diferença em relação a 2024 é que, em geral, os surtos da doença no Brasil ficavam limitados a região Norte do país, e agora a Febre do Oropouche tem atingido outros territórios, com registros de casos em Mato Grosso, Piauí, Rio de Janeiro, Bahia e Santa Catarina.

Como ocorre a transmissão da Febre do Oropouche?

A Febre de Oropouche é uma arbovirose. As arboviroses são um grupo de doenças virais transmitidas principalmente por artrópodes, como mosquitos e carrapatos. Inclusive, a palavra "arbovirose" vem de "arbovírus", que significa "vírus transmitido por artrópodes".

A transmissão da Febre do Oropouche ocorre através da picada de mosquitos. Após picar uma pessoa ou outro animal infectado, o vírus permanece presente no sangue do mosquito por alguns dias. Quando este mosquito pica outra pessoa saudável, pode transmitir o vírus para ela.

Existem dois ciclos de transmissão:

  • Ciclo silvestre
    Os hospedeiros do vírus são animais como bichos-preguiça e macacos. O mosquito Culicoides paraensis, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora, é considerado o principal transmissor neste ciclo. Porém, alguns tipos de mosquitos, como o Coquilletti diavenezuelensis e o Aedes serratus, podem carregar o vírus. 
O maruim, inseto transmissor da Febre de Oropouche, também é conhecido como mosquito-pólvora (Imagem: Reprodução Wikimedia Commons)
O maruim, inseto transmissor da Febre de Oropouche, também é conhecido como mosquito-pólvora (Imagem: Reprodução Wikimedia Commons)
  • Ciclo urbano
    Aqui, os humanos são os principais hospedeiros Orthobunyavirus. O mosquito maruim também atua como vetor principal; já o mosquito Culex quinquefasciatus, conhecido como pernilongo e comum em ambientes urbanos, ocasionalmente, pode transmitir o vírus.

Quais os sintomas da doença?

Entre os sintomas da Febre do Oropouche estão febre (temperatura entre 38 e 39,5°C) presente em quase todos os casos e de início brusco; dor de cabeça; calafrios; dor no corpo ou muscular; além de dores nas articulações.

Perceba é um quadro semelhante ao da dengue, mas as chances de a Febre do Oropouche se tornar mais grave são menores. Eventualmente, ocorre meningite e inflamação do encéfalo e das meninges (meningoencefalite).

Como são frequentemente confundidas, é crucial que os profissionais de saúde saibam distinguir a Febre do Oropouche da dengue por meio da observação de aspectos clínicos, epidemiológicos e laboratoriais, orientando assim as ações de prevenção e controle.

Como saber se estou com Febre do Oropouche?

O diagnóstico acontece clinicamente, epidemiologicamente e por meio de exames laboratoriais. Todo caso diagnosticado deve ser notificado.

A Febre do Oropouche está entre as doenças de notificação compulsória devido ao seu potencial epidêmico e à sua capacidade de mutação, sendo considerada uma ameaça à saúde pública.

👉 Leia também: Dengue nos vestibulares: tudo o que você precisa saber

Tratamento e prevenção

Infelizmente, não há um tratamento específico para a Febre do Oropouche. Os pacientes devem repousar e tratar os sintomas, sob acompanhamento médico. Então, procure assistência médica imediata se houver suspeita da doença.

Se existirem casos confirmados na cidade onde você mora, é importante seguir as orientações das autoridades de saúde local para reduzir o risco de transmissão.

Para prevenir a doença, você pode:

  • evitar áreas com alta densidade de mosquitos, sempre que possível;
  • utilizar roupas que cubram a maior parte do corpo;
  • aplicar repelente;
  • manter o ambiente domiciliar limpo, eliminando possíveis criadouros de mosquitos.

A Febre do Oropouche pode cair no Enem e nos vestibulares?

As provas, em geral, amam cobrar doenças e seus ciclos de transmissão, principalmente quando há animais como vetores.

Além disso, as questões tendem a aparecer de forma interdisciplinar, envolvendo conhecimentos de Biologia (especialmente Microbiologia e Ecologia), Geografia (distribuição geográfica), Saúde Pública e até mesmo Sociedade (impactos sociais e econômicos da doença).

Separei aqui alguns contextos que valem a pena estudar:

  • Transmissão e vetores
    Questões podem avaliar o conhecimento dos alunos sobre os vetores responsáveis pela transmissão da Febre do Oropouche, a exemplo do que o Enem já trouxe sobre dengue, zika e chikungunya. Então, aprenda: quais mosquitos são responsáveis pela disseminação do vírus; como eles se proliferam e quais são as medidas de controle.
  • Epidemiologia e distribuição geográfica
    É importante saber quais regiões são mais afetadas pela Febre do Oropouche, quais fatores contribuem para sua propagação e os impactos na saúde pública.
  • Prevenção e controle
    Tanto o Enem quanto outros vestibulares podem abordar estratégias de prevenção da Febre do Oropouche, como o controle de mosquitos, medidas de saneamento básico, uso de repelentes e a importância da educação em saúde para evitar a propagação da doença.
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Paulo Jubilut

CEO do Aprova Total. É conhecido como "Professor Jubilut” por seu canal no YouTube, que conta com mais de 3 milhões de inscritos, o que faz dele o maior influenciador de Biologia do Brasil.

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