Regência verbal e nominal: guia para o Enem e vestibulares
Aprenda as regras de regência verbal e nominal com exemplos práticos e veja como evitar erros que podem custar pontos nas provas

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Aprender regência verbal e nominal é fundamental para quem quer escrever melhor, interpretar textos com mais precisão e garantir pontos importantes nas provas do Enem e dos vestibulares.
Embora esse tema pareça técnico à primeira vista, ele está diretamente ligado ao sentido das frases, ou seja, erros de regência podem comprometer totalmente a compreensão de uma ideia.
Por isso, neste guia, você vai entender o que é regência, como ela funciona, quais são os principais casos cobrados nas provas e, principalmente, como evitar os erros mais comuns. Confira!
NAVEGUE PELOS CONTEÚDOS
O que é regência verbal e nominal?
De acordo com o dicionário, a regência é a "relação de dependência entre as palavras de uma oração ou entre as orações de um período". Ou seja, como um termo precisa de outro para completar seu sentido.
Funciona assim: existe uma palavra principal, chamada de termo regente, que "pede" um complemento, chamado de termo regido. Essa relação pode ou não exigir o uso de uma preposição. Por exemplo:
Eu gosto de música.
Nesse caso, o verbo "gostar" exige a preposição "de". Ou seja, não é possível dizer "eu gosto música" na norma culta.
A regência se divide em dois tipos:
- Regência verbal → quando o termo principal é um verbo;
- Regência nominal → quando o termo principal é um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio).
Essa distinção é essencial porque cada tipo segue regras diferentes e entender isso é o primeiro passo para dominar o conteúdo.
Regência verbal: como funciona na prática?
A regência verbal analisa a relação entre um verbo e seus complementos. Em outras palavras, ela mostra se o verbo precisa ou não de preposição — e qual preposição usar. Para entender isso melhor, observe as diferenças:
Comi arroz.
Preciso de ajuda.
No primeiro caso, o verbo "comer" não exige preposição. Já no segundo, o verbo "precisar" exige a preposição "de". Isso está diretamente ligado à classificação dos verbos:
- Transitivos diretos: não exigem preposição;
- Transitivos indiretos: exigem preposição;
- Intransitivos: não precisam de complemento;
- Transitivos diretos e indiretos: exigem dois complementos.
Mas o ponto mais importante para o Enem não é decorar essa classificação, e sim entender o comportamento dos verbos mais cobrados.
Verbos que mais caem em questões sobre regência
Alguns verbos mudam de sentido conforme a regência. Isso significa que a presença ou ausência de preposição altera o significado da frase. Veja os principais:
Assistir
"Assistir" no sentido de ver exige preposição:
Eu assisti ao filme
Aqui, o verbo pede a preposição “a”. Como “filme” é masculino, temos “ao”. Já no sentido de ajudar, não há preposição:
O médico assistiu o paciente
Nesse caso, "assistir" significa prestar assistência, ajudar, e funciona como verbo transitivo direto.
Aspirar
Também muda de sentido conforme a construção. No sentido de desejar:
Ela aspira ao cargo.
Aqui, há ideia de objetivo, então exige preposição. Já no sentido de respirar:
Ela aspirou o ar.
Nesse caso, não há preposição.
Visar
Visar pode ter dois sentidos. O primeiro é ter como objetivo, em que usamos a preposição:
O projeto visa ao crescimento.
Já no sentido de mirar ou dar visto. Aqui, a ausência de preposição indica outro significado.
O professor visou a prova.
Preferir
Esse é o campeão de erros! Afinal, é muito comum ouvir as pessoas falarem: "Prefiro café do que chá". Mas o correto é "Prefiro café a chá". Isso acontece porque o verbo “preferir” exige uma estrutura fixa: preferir uma coisa a outra.
Pagar, perdoar e agradecer
Esses são tratados como casos especiais, que seguem regras específicas, pois fazem distinção entre "coisa" e "pessoa".
| Coisa/Pessoa | Preposição | Exemplos |
|---|---|---|
| Algo (coisa) | Sem preposição | Paguei a conta ontem. Ela perdoou o erro. Agradeci o presente. |
| A alguém (pessoa) | Com preposição "a" | Ela pagou ao mecânico pelo serviço. Maria agradeceu à equipe pelo presente. |
| Algo a alguém (coisa + pessoa) | Ambos | Paguei a dívida ao banco. Joana agradeceu a oportunidade ao chefe. |
Esquecer e lembrar
Esses verbos podem aparecer acompanhados por pronome (me, se). Nesse caso, o complemento deverá ter preposição. Vamos aos exemplos:
Jonas esqueceu a festa. (objeto direto)
Jonas se esqueceu da festa. (objeto indireto)
Alice lembrou a mãe. (objeto direto)
Alice se lembrou da mãe (objeto indireto).
O que é regência nominal?
A regência nominal é a relação de dependência entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e o seu complemento, geralmente estabelecida por meio de uma preposição. Em outras palavras, ela mostra qual preposição um nome exige para completar seu sentido corretamente.
Algumas palavras não têm sentido completo sozinhas e precisam de um complemento. Por exemplo, quando alguém diz: "Tenho medo". É medo de quê? Altura, escuro, monstros... Perceba que o nome ("medo") precisa de outro termo para completar o sentido e essa ligação é feita por uma preposição.
Principais regências nominais e exemplos
Na regência nominal, não basta saber que há uma preposição, é preciso entender porque aquela preposição é usada e qual sentido ela constrói na frase. Isso porque, em muitos casos, a escolha da preposição não é aleatória, ou seja, ela está diretamente ligada ao significado do nome.
A seguir, veja as regências nominais mais importantes, com explicações e exemplos.
Acessível a
Usa-se a preposição “a” para indicar ideia de acesso ou alcance.
O conteúdo é acessível a todos.
Aqui, “acessível” indica algo que pode ser alcançado ou utilizado por alguém. Apesar de bem comum, a construção "acessível para todos" não é adequada.
Favorável a
A preposição “a” indica posição, opinião ou concordância. Esse tipo de construção aparece muito em textos argumentativos, como redações.
Ele é favorável à proposta
Ou seja, ele concorda com a proposta.
Prejudicial a
Também usa a preposição “a”, indicando alvo de um efeito negativo.
O cigarro é prejudicial à saúde.
Indiferente a
A preposição “a” indica falta de reação ou importância em relação a algo.
Ele ficou indiferente às críticas.
Ou seja, não se importou com elas.
Imune a
A preposição “a” indica proteção contra algo.
Ele é imune a doenças.
Capacidade de ou para
Aqui, temos um caso interessante: duas preposições possíveis, com nuances de sentido. "De" é mais comum e indica habilidade geral, já "para" pode indicar aptidão direcionada a uma finalidade.
Capacidade de resolver problemas.
Capacidade para o trabalho.
Apto a ou para
Semelhante ao anterior:
Apto a exercer a função.
É uma construção mais formal, muito usada em textos técnicos.
Apto para o cargo.
Mais comum no uso geral, principalmente na linguagem coloquial.
Próximo de
Indica proximidade física ou figurada.
Ele mora próximo de casa
Cheio de
A preposição “de” indica conteúdo ou preenchimento.
O lugar estava cheio de pessoas.
Amor a ou por
Esse é um caso clássico com duas possibilidades, que podem variar conforme o uso.
Amor a Deus.
Uso mais formal e tradicional.
Amor por música.
Mais comum no uso cotidiano. Em geral, ambas podem ser aceitas, mas o contexto define a melhor escolha.
Necessário a
A preposição “a” indica destinatário ou finalidade.
A disciplina é necessária ao sucesso
Ou seja, nesta construção, o sucesso depende da disciplina.
Regência e crase: por que estão ligadas?
A relação entre regência e crase é direta e indispensável para o uso correto da Língua Portuguesa, especialmente em contextos formais, como o Enem e os vestibulares.
Isso acontece porque a crase depende da regência para existir. Em outras palavras, só pode haver crase quando um termo da frase - seja um verbo ou um nome - exige a preposição “a”. Sem essa exigência, a crase simplesmente não acontece.
Na prática, a crase é a fusão de dois elementos: a preposição “a”, exigida pela regência, e o artigo feminino “a” ou “as”, que acompanha o substantivo. Quando esses dois “a” se encontram, ocorre a crase, representada pelo acento grave (à ou às). Por isso, entender regência é essencial para saber quando usar ou não a crase. Observe o exemplo:
Vou à escola.
O verbo “ir” exige a preposição “a” (quem vai, vai a algum lugar), e o substantivo “escola” admite o artigo feminino “a”. Assim, temos a soma de “a + a”, resultando em “à”.
Esse mesmo raciocínio vale para outros casos, inclusive na regência nominal, como em:
Ele é favorável à decisão.
O adjetivo “favorável” exige a preposição “a”, e “decisão” aceita o artigo feminino, o que novamente gera a crase.
Por outro lado, quando um desses elementos não aparece, a crase não ocorre. É o que acontece em frases como:
Ele é imune a doenças.
Nesse caso, o adjetivo “imune” exige a preposição “a”, mas o termo “doenças” não está acompanhado de artigo definido. Como não há a soma dos dois “a”, não há crase.
💡 Uma forma prática de verificar se há crase é substituir o termo feminino por um masculino. Se na versão masculina aparecer “ao”, então haverá crase no feminino.
Como a regência cai no Enem e vestibulares
A regência verbal e nominal raramente aparece de forma isolada nas provas do Enem e dos vestibulares. A banca costuma explorar esse conteúdo de maneira mais contextualizada, exigindo do candidato não apenas o conhecimento da regra, mas principalmente a capacidade de interpretar e analisar o uso da língua em situações reais.
Uma das formas mais comuns de cobrança é por meio da interpretação de textos. Nesse tipo de questão, a regência aparece de maneira implícita, influenciando o sentido de palavras e expressões.
Outra abordagem frequente é a análise de correção gramatical. A prova apresenta uma frase e pede para identificar se há erro ou qual seria a forma correta. Nesses casos, aparecem construções comuns do dia a dia, mas que estão inadequadas na norma culta.
A regência também é cobrada em exercícios de reescrita de frases, em que o candidato precisa manter o sentido original ao modificar a estrutura. Nessas situações, é fundamental saber qual preposição deve acompanhar o verbo ou o nome, já que uma troca inadequada pode comprometer tanto a correção quanto o significado da frase.
Além disso, a regência está diretamente ligada a outros conteúdos, como o uso da crase. Muitas questões cobram o emprego correto do acento grave, e isso só pode ser resolvido se o candidato souber identificar se o termo exige a preposição “a”. Ou seja, mesmo quando a pergunta parece ser sobre crase, na prática ela envolve regência.
Outro ponto importante é que o Enem valoriza a compreensão do uso da língua em diferentes contextos. Por isso, pode aparecer a comparação entre linguagem formal e informal, mostrando construções comuns na fala e pedindo que o candidato reconheça a forma adequada na norma padrão.
Exemplos de questões sobre regência
(IFPE 2019) Considerando que a transitividade verbal trata do tipo de relação que um verbo estabelece com seu(s) complemento(s), analise o trecho em destaque e, em seguida, assinale a alternativa cujo verbo sublinhado possui igual regência.
Chico Mendes não sobreviveu aos ataques sofridos.
a) O Brasil possui uma das principais fronteiras agrícolas do planeta.
b) Em geral, consumimos produtos contaminados.
c) Empresas indenizaram cerca de mil trabalhadores.
d) O ambientalista não cedeu aos constrangimentos.
e) O consumidor mais informado consome produtos orgânicos.
Resposta: [D]
O verbo destacado é transitivo indireto, já que exige complemento indireto iniciado pela preposição “a” (sobreviver a algo). O mesmo ocorre com o verbo da alternativa [D], “ceder” (ceder a algo).
(Col. naval 2020) Assinale a opção na qual a regência do verbo em destaque está de acordo com a modalidade padrão.
a) Os criadores das fake news, em todo o mundo, não obedecem nenhuma regra que prime pela ética e pelo respeito aos cidadãos.
b) Notícias, sejam elas de que natureza forem, tornam-se importantes e necessárias apenas quando servem o bem comum.
c) Todos aspiramos a um mundo no qual a verdade, a transparência e o respeito estejam a serviço da humanidade.
d) Pessoas que não pesquisam a origem das notícias pagam a altos preços quando acreditam e divulgam fake news.
e) Não esqueça de conferir se as notícias que serão postadas em suas mídias contemplarão a informação relevante e digna.
Resposta: [C]
[A] é incorreta porque quem obedece, obedece a algo (a nenhuma regra). Já a alternativa [B] está incorreta, pois quem serve, serve a algo (ao bem comum). Por sua vez, a opção [D] não está certa visto que quem paga, paga algo (pagam altos preços). Por fim, na alternativa [E], o correto seria “não se esqueça de conferir…”.
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