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Você sabe o que é Morfologia? Veja exemplos

Entenda como as palavras são formadas e classificadas, e de que forma esse conteúdo aparece nas questões de Língua Portuguesa

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A morfologia é a área da gramática que estuda a estrutura, a formação e a classificação das palavras.

Esse conteúdo aparece com frequência nas provas de Língua Portuguesa, principalmente em questões que exigem identificar classes gramaticais, interpretar o efeito de sentido das palavras e compreender o funcionamento da língua no contexto de um texto.

Embora muitas vezes seja associada apenas à memorização de regras, a morfologia é fundamental para compreender como as palavras se organizam e como contribuem para a construção do significado nas frases.

Dominar esse conteúdo ajuda não apenas nas questões de gramática, mas também na interpretação de textos. Por isso, neste guia, você vai entender o que é morfologia, quais são as classes gramaticais e como esse conteúdo costuma aparecer nas provas do Enem e de vestibulares.

O que é morfologia?

A morfologia é o ramo da gramática responsável por estudar as palavras de forma individual, analisando sua estrutura, formação e classificação. Em outras palavras, a morfologia investiga:

  • como as palavras são formadas;
  • quais elementos compõem cada palavra;
  • a que classe gramatical cada palavra pertence.

Veja um exemplo simples:

O menino correu rapidamente.

Na análise morfológica, cada palavra pode ser classificada:

  • o → artigo
  • menino → substantivo
  • correu → verbo
  • rapidamente → advérbio

Perceba que a morfologia analisa a natureza das palavras, ou seja, sua categoria dentro da língua.

O que a morfologia estuda?

De modo geral, a morfologia se dedica a três aspectos principais da Língua Portuguesa:

  • a estrutura das palavras;
  • a formação das palavras;
  • a classificação das palavras.

Esses elementos ajudam a compreender como o vocabulário é construído e utilizado. Vamos entender em detalhes como é essa diferenciação.

Estrutura das palavras

A estrutura das palavras envolve os elementos que compõem uma palavra. Entre os principais componentes estão:

  • Radical: é a parte principal da palavra, responsável por seu significado básico. Por exemplo, o radical "feliz" é comum às palavras "felicidade" e "infelizmente";
  • Prefixo: o elemento colocado antes do radical, como "in" em "infeliz" e "re" em "refazer";
  • Sufixo: elemento colocado depois do radical, por exemplo, "mente" em "felizmente" e "oso" em "amoroso";
  • Desinências: indicam flexões de gênero, número, tempo ou modo. Se observarmos a palavra "cantar", por exemplo, pode se tornar "canto", "cantamos" e "cantaram".

Formação das palavras

A morfologia também estuda como novas palavras surgem. Os principais processos são a derivação e a composição. No caso da derivação, ocorre quando uma palavra surge a partir de outra. Exemplos:

  • feliz → felicidade;
  • útil → inutilidade;
  • ler → releitura.

Já a composição ocorre quando duas palavras se unem para formar uma nova, por exemplo:

  • guarda-chuva;
  • passatempo;
  • beija-flor.

Classificação das palavras

Um dos aspectos mais importantes da morfologia é a classificação das palavras em classes gramaticais. Essa classificação organiza as palavras de acordo com suas características e funções linguísticas.

👉 Leia também: Competência 1 da redação do Enem: como dominar regras da gramática

Classes gramaticais: o foco da morfologia

Na Língua Portuguesa, as palavras são divididas em 10 classes gramaticais. Essas classes ajudam a compreender como cada palavra funciona dentro da linguagem.

Substantivo

O substantivo é a palavra que nomeia seres, objetos, lugares, sentimentos ou ideias, e pode ser classificado de diferentes formas.

Uma delas divide os substantivos em comuns e próprios. O substantivo comum nomeia seres de forma geral, sem identificar um indivíduo específico, como "cidade", "aluno" ou "rio". Já o substantivo próprio identifica um ser específico dentro de um grupo, como "Brasil", "Maria" ou "São Paulo", sendo escrito com letra inicial maiúscula.

Outra classificação divide os substantivos em concretos, abstratos e coletivos. Os substantivos concretos nomeiam seres com existência própria, como "cachorro", "mesa" ou "árvore". Os abstratos indicam sentimentos, qualidades ou estados, como "amor", "beleza" e "coragem".

Já os substantivos coletivos indicam um conjunto de seres da mesma espécie, como "cardume" (peixes), "alcateia" (lobos) e "biblioteca" (livros).

Adjetivo

O adjetivo caracteriza ou atribui qualidades ao substantivo. Ele pode variar em gênero e número para concordar com o substantivo. Exemplos:

  • casa grande;
  • aluno dedicado;
  • dia ensolarado.

Artigo

O artigo acompanha o substantivo e indica se ele é definido ou indefinido. Entre os artigos definidos temos:

  • o
  • a
  • os
  • as

E artigos indefinidos:

  • um
  • uma
  • uns
  • umas

Numeral

O numeral indica quantidade, ordem ou multiplicação. Exemplos:

  • dois alunos
  • primeiro lugar
  • dobro do valor

Pronome

O pronome substitui ou acompanha o substantivo, e costuma ser utilizado para evitar repetições no texto. São alguns exemplos:

  • ele
  • ela
  • nós
  • este
  • aquele

Verbo

O verbo expressa ações, estados ou fenômenos da natureza. Além disso, variam conforme tempo, modo, número e pessoa.

O aluno estuda para a prova. (presente)
O aluno estudou para a prova. (passado)
O aluno estudará para a prova. (futuro)

Nesse caso, o verbo estudar varia conforme o tempo verbal, indicando quando a ação acontece: no presente (estuda), no passado (estudou) ou no futuro (estudará).

O aluno estuda para a prova. (modo indicativo)
Espero que o aluno estude para a prova. (subjuntivo)
Aluno, estude para a prova! (imperativo)

Aqui o verbo varia conforme o modo verbal, que indica a atitude em relação à ação. O indicativo expressa certeza, o subjuntivo indica possibilidade ou desejo, e o imperativo expressa ordem, pedido ou conselho.

O aluno estuda para a prova. (singular)
Os alunos estudam para a prova. (plural)

Nesse caso, o verbo muda para concordar com o número do sujeito. Quando o sujeito está no singular (aluno), o verbo é estuda. Quando o sujeito está no plural (alunos), o verbo passa para estudam.

Eu estudo para a prova. (1ª pessoa)
Tu estudas para a prova. (2ª pessoa)
Ele estuda para a prova. (3ª pessoa)

Aqui o verbo varia conforme a pessoa do discurso, ou seja, quem realiza a ação: 1ª pessoa (quem fala), 2ª pessoa (com quem se fala) ou 3ª pessoa (de quem se fala).

Advérbio

O advérbio modifica o verbo, o adjetivo ou outro advérbio, indicando circunstâncias. São os principais:

  • Tempo: indica quando a ação acontece. Exemplo: Ontem estudamos para a prova.
  • Lugar: indica onde a ação acontece. Exemplo: Os alunos estão aqui na sala.
  • Modo: indica como a ação é realizada. Exemplo: Ela respondeu rapidamente à questão.
  • Intensidade: Indica intensidade ou grau. Exemplo: O exercício estava muito difícil.
  • Negação: indica negação da ação. Exemplo: Ele não compareceu à aula.
  • Afirmação: indica confirmação ou certeza. Exemplo: Sim, eu entreguei o trabalho.

Preposição

A preposição liga palavras dentro da frase, estabelecendo relações entre elas. Exemplos:

  • de
  • para
  • com
  • em
  • por

Conjunção

A conjunção conecta orações ou palavras dentro da frase. São os principais: "e", "mas", "porque" e "embora". Veja aplicações:

Estudei para a prova e revisei os exercícios.

Nesse caso, a conjunção aditiva "e" liga duas ações que se somam.

Estudei bastante, mas fiquei nervoso na hora da prova.

A conjunção adversativa "mas" indica contraste ou oposição entre as ideias.

Ele saiu mais cedo porque precisava estudar.

Aqui, "porque", conjunção explicativa ou causal, apresenta a causa ou explicação da ação.

Embora estivesse cansado, ele continuou estudando.

A conjunção "embora" indica uma ideia de concessão, ou seja, algo acontece apesar de uma dificuldade. Por isso, é considerada uma conjunção concessiva.

Interjeição

A interjeição expressa emoções, sentimentos ou reações. Exemplos:

  • ah!
  • nossa!
  • ufa!
  • cuidado!

👉 Leia também: Linguagem culta e coloquial: quais são as diferenças entre elas?

Diferença entre morfologia e sintaxe

Muitos estudantes confundem morfologia e sintaxe, mas essas duas áreas da gramática analisam aspectos diferentes da língua. A morfologia estuda a classificação das palavras, já a sintaxe analisa a função que essas palavras exercem dentro da frase.

Veja o exemplo:

O aluno estudou muito.

Na análise morfológica, a classificação ocorre da seguinte forma:

  • aluno → substantivo
  • estudou → verbo
  • muito → advérbio

Já na análise sintática, analisa-se a função dos termos:

  • aluno → sujeito
  • estudou → núcleo do predicado
  • muito → adjunto adverbial

Assim, enquanto a morfologia identifica que tipo de palavra está sendo usada, a sintaxe analisa o papel que essa palavra desempenha na oração.

Como a morfologia aparece no Enem e vestibulares

A morfologia aparece em diferentes tipos de questões nas provas do Enem e de vestibulares. Geralmente, as perguntas envolvem:

  • identificação da classe gramatical de uma palavra;
  • interpretação do efeito de sentido de advérbios ou pronomes;
  • análise do uso de verbos;
  • reconhecimento da formação das palavras.

Além disso, muitas questões aparecem dentro de textos literários, tirinhas, propagandas ou artigos, exigindo que o estudante observe como as palavras funcionam no contexto. Por isso, entender a morfologia ajuda não apenas na gramática, mas também na interpretação textual.

Exemplo de questão de morfologia no Enem

(Enem 2012) O sedutor médio

Vamos juntar
Nossas rendas e
expectativas de vida
querida,
o que me dizes?
Ter 2, 3 filhos
e ser meio felizes?

VERISSIMO, L. F. Poesia numa hora dessas?! Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.

No poema O sedutor médio, é possível reconhecer a presença de posições críticas

a) nos três primeiros versos, em que “juntar expectativas de vida” significa que, juntos, os cônjuges poderiam viver mais, o que faz do casamento uma convenção benéfica.

b) na mensagem veiculada pelo poema, em que os valores da sociedade são ironizados, o que é acentuado pelo uso do adjetivo “médio” no título e do advérbio “meio” no verso final.

c) no verso “e ser meio felizes?”, em que “meio” é sinônimo de metade, ou seja, no casamento, apenas um dos cônjuges se sentiria realizado.

d) nos dois primeiros versos, em que “juntar rendas” indica que o sujeito poético passa por dificuldades financeiras e almeja os rendimentos da mulher.

e) no título, em que o adjetivo “médio” qualifica o sujeito poético como desinteressante ao sexo oposto e inábil em termos de conquistas amorosas.

Resposta: [B]
A proposta do eu lírico à mulher amada está carregada de ironia e desvincula o casamento ou a constituição de uma família da ideia de segurança para se atingir a felicidade plena. Através do adjetivo “médio” e do advérbio “meio”, o eu lírico subverte a concepção tradicional do casamento com final feliz e instaura a crítica a esse tipo de união, como se afirma em [B].

Exemplo de questão de morfologia no vestibular

(UEA 2019)

Tirinha usada em exercício de morfologia mostra uma palestra em que um personagem afirma que idosos fazem filas nos bancos; ao ser questionado sobre por que a polícia não os espanca, ele responde que é porque alguns deles não são pobres.

A palavra “só”, no primeiro quadrinho, foi utilizada no mesmo sentido da palavra sublinhada em

a) A capa é o que faz com que um livro seja isolado do mundo.

b) Foi sozinho à biblioteca e voltou acompanhado de dois livros.

c) A boa literatura não apenas diverte, ela também instrui.

d) Diferente dos livros impressos, um livro manuscrito é um objeto único.

e) Um bom poema recompensa de modo ímpar o leitor que se esforça para entendê-lo.

Resposta: [C]
O sentido da palavra "só" no primeiro quadrinho é de "apenas" ou "somente", ou seja, indica restrição ou exclusividade. Na alternativa C, "apenas" tem exatamente o mesmo valor de "só" = somente. A frase diz que a literatura não serve somente para divertir, mas também para ensinar.


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