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Resumos das obras que vão cair na UFSC 2026

Veja quais são as leituras obrigatórias deste vestibular e confira dicas para responder às questões com mais segurança

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Se o vestibular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está no seu radar, você chegou ao lugar certo! Neste artigo, trazemos um guia detalhado sobre os livros e outras obras cobradas pela UFSC 2026, com resumos e pontos essenciais que você deve dominar para mandar bem na prova. 

Sabemos que enfrentar essa lista de leituras pode parecer um desafio, mas estamos aqui para tornar sua preparação mais tranquila e certeira. Vamos lá?

Quais são os livros obrigatórios do Vestibular UFSC 2026? 

Confira a lista de livros e obras da UFSC para o vestibular de 2026:

  1. O outro lado da bola – Alê Braga, Álvaro Campos e Jean Diaz (graphic novel)
  2. Memórias póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis
  3. Solitária – Eliana Alves Cruz
  4. S. Bernardo – Graciliano Ramos
  5. Primeiro de abril: narrativas da cadeia – Salim Miguel
  6. Parque industrial – Pagu

Resumos das leituras obrigatórias da UFSC 2026 

Confira abaixo um breve resumo das obras da UFSC (compostas de livros e um álbum), destacando os principais elementos do enredo, o contexto de criação e as possíveis interpretações.

1. O outro lado da bola

(Alê Braga, Álvaro Campos e Jean Diaz)

O outro lado da bola é uma graphic novel que conta a história de Cris, um jogador de futebol famoso, ídolo de torcida e símbolo de sucesso no esporte. A trama começa a se intensificar quando um ex-namorado de Cris é assassinado em um crime com motivação homofóbica e, abalado, o protagonista decide se assumir publicamente homossexual em rede nacional.

A obra desmonta a imagem idealizada do futebol como “paixão nacional” neutra e inclusiva, revelando bastidores atravessados por machismo, homofobia, violência simbólica e interesses econômicos.

A reação de dirigentes, colegas de time, patrocinadores, imprensa e torcida evidencia como o esporte é um espaço em que a masculinidade hegemônica é rigidamente vigiada, e qualquer desvio do padrão esperado se torna motivo de ódio, boicote e perseguição.

👀 Para o vestibular: atenção ao modo como a obra usa recursos típicos das HQs (montagem de quadros, expressividade visual, cortes de cena) para construir tensão e crítica social. Observe a representação do corpo masculino, da mídia esportiva e do ambiente do vestiário, além das discussões sobre homofobia, violência contra pessoas LGBTQIA+ e cultura do silêncio no futebol brasileiro.

2. Memórias póstumas de Brás Cubas

(Machado de Assis)

Em Memórias póstumas de Brás Cubas, o narrador é um “defunto-autor”: Brás Cubas começa a contar sua história depois de morto, olhando para a própria vida sem a preocupação de manter aparências.

Ele rememora a infância burguesa, os amores frustrados (especialmente com Virgília), os projetos políticos e a ideia nunca concretizada de inventar um emplasto “para curar a humanidade” — que, na verdade, serviria mais para alimentar sua vaidade do que para aliviar sofrimentos reais.

O romance rompe com a narrativa linear tradicional: os capítulos são curtos, cheios de digressões, metáforas e conversas diretas com o leitor. Nesse percurso, Machado de Assis constrói uma crítica ácida à elite do século 19, expondo hipocrisia social, egoísmo, racismo, desigualdade e superficialidade das relações afetivas.

👀 Para o vestibular: repare na combinação entre narrador pouco confiável, ironia e crítica social. É importante perceber como o ponto de vista de Brás Cubas revela mais sobre a mentalidade da elite do que ele próprio admite. Fique atento aos temas recorrentes (vaidade, fracasso, desigualdade, morte, sentido da vida) e ao modo como o livro questiona a ideia de “herói” ao apresentar um protagonista que termina sua vida sem grandes feitos e ainda assim quer deixar suas “memórias”.

3. Solitária

(Eliana Alves Cruz)

O livro Solitária narra a vida de Eunice e Mabel, mãe e filha negras que vivem e trabalham como empregadas em um condomínio de luxo. A história mostra como o trabalho doméstico no Brasil ainda carrega marcas da escravidão

Mabel, a filha, quer mudar seu futuro e consegue entrar na faculdade de Medicina, enquanto Eunice testemunha um crime no condomínio, o que acaba mudando a vida das duas. 

O livro é dividido em três partes, e na última, os próprios espaços (como o quarto de empregada) narram a história. A obra aborda temas como racismo, desigualdade e a luta para se libertar das condições impostas pela sociedade elitista.

👀 Para o vestibular: fique de olho na relação entre o trabalho doméstico e as heranças da escravidão, além da simbologia do "quartinho" como representação do corpo negro. Veja também como a narrativa, especialmente na terceira parte, personifica os espaços e como isso reflete a subordinação dos personagens. 

4. S. Bernardo

(Graciliano Ramos)

Narrado em primeira pessoa por Paulo Honório, vamos conhecer a história desse homem de origem pobre que, com muito cálculo e poucos escrúpulos, enriquece e se torna proprietário da fazenda São Bernardo.

Ele reconstrói sua trajetória em forma de relato retrospectivo: da infância difícil ao período em que, por meio de trapaças, chantagens e manipulações, conquista as terras do antigo dono, Luís Padilha. A escrita seca e direta acompanha a personalidade dura do narrador, que vê tudo a partir da lógica da propriedade e do lucro.

A virada na narrativa acontece com o casamento de Paulo Honório e Madalena, uma mulher instruída, sensível e politicamente engajada. O choque entre a visão autoritária, patriarcal e possessiva do protagonista e a postura crítica de Madalena gera conflitos crescentes, alimentando ciúme, vigilância e violência psicológica.

Essa relação degrada até que Madalena, sufocada, tira a própria vida. Já velho e solitário, Paulo Honório tenta escrever sua história e, nesse processo, confronta a própria brutalidade e o vazio produzido por uma vida pautada na exploração de pessoas e terras.

👀 Para o vestibular: observe o contraste entre Paulo Honório e Madalena como símbolo de projetos de sociedade opostos (autoritarismo x justiça social). Atenção à crítica à concentração de terras, ao coronelismo e às relações de trabalho no campo. Vale notar também como a forma do relato (um homem que tenta “se entender” ao narrar o passado) contribui para a construção de um narrador que se denuncia o tempo todo.

5. Primeiro de abril: narrativas da cadeia

(Salim Miguel)

Nessa obra autobiográfica, Salim Miguel relata os dias em que esteve preso após o golpe militar de 1964, em Santa Catarina. O autor, então jornalista e intelectual, é detido sob acusação de “subversão” e passa cerca de cinquenta dias em um quartel da Polícia Militar, experiência que registra em forma de diário.

Em vez de focar apenas em grandes eventos espetaculares, o livro acompanha o cotidiano da prisão: a rotina, as conversas, os medos, as pequenas violências e as estratégias de resistência simbólica.

Ao reconstruir esse período, Salim articula memória individual e memória coletiva sobre a ditadura civil-militar brasileira. A experiência da cela torna-se chave para refletir sobre autoritarismo, arbitrariedade do Estado, limites da liberdade de expressão e impacto psicológico da repressão.

👀 Para o vestibular: fundamental situar o livro no contexto da ditadura militar e entendê-lo como testemunho histórico e literário. Preste atenção à forma diarística, ao modo como o eu-narrador articula lembrança, reflexão e crítica política, e às relações que podem ser feitas com temas como direitos humanos, censura, violência de Estado e importância da memória para evitar a repetição de violações no presente.

6. Parque Industrial, de Pagu

Parque Industrial mostra a difícil vida das operárias em São Paulo, na década de 1930. A história acompanha personagens como Maria, Lia e Otávia, que trabalham em fábricas e enfrentam longas jornadas de trabalho, salários baixos e muito desrespeito. 

Pagu usa uma linguagem rápida e direta, misturando o estilo modernista com críticas sociais fortes, especialmente sobre a exploração dos trabalhadores e a desigualdade entre ricos e pobres. O livro evidencia um olhar feminista, destacando a luta das mulheres naquela época. 

Além disso, a obra reflete o envolvimento político da autora com o movimento comunista, fazendo uma crítica clara ao capitalismo e às injustiças sociais.

👀 Para o vestibular: veja como é feita a crítica ao capitalismo e à exploração das operárias, além da forma como Pagu representa a luta de classes e a desigualdade de gênero. Note a presença de personagens femininas fortes, como Otávia, e o uso de uma linguagem que mistura modernismo e militância política. A obra também reflete o contexto histórico da industrialização de São Paulo e as ideias comunistas defendidas pela autora.

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Exercícios resolvidos: obras obrigatórias UFSC 

Para resolver as questões sobre os livros da UFSC, a leitura integral das obras é importante, pois você precisará saber detalhes do enredo.

Além disso, é comum que, em uma mesma questão, apareçam trechos de mais de uma das obras da lista, para fazer algum tipo de associação entre elas.

Confira um exemplo de como a prova cobra as obras obrigatórias:

Exemplo

(UFSC 2024)  Desculpas

Sou preto e sou velho. Diferente da maioria dos pretos no Brasil, sou rico. Moro num condomínio sofisticado, num bairro de brancos que acham muito esquisito a minha família preta morar ali.

Tenho setenta anos e pratico muitos esportes. Gosto especialmente de corrida.

Dia desses fui correr até a beira da praia. Na segunda quadra após o condomínio, passei em frente ao posto de gasolina. No momento em que passei, acontecia um assalto.

Dois dentes quebrados, três costelas fraturadas, as maçãs do rosto raladas, nariz sangrando, braço esquerdo luxado. Cusparadas na cara, tapas na orelha, vários socos no estômago.

Uns brutamontes me agarraram, me esfregaram no chão de asfalto e me levaram para a delegacia como suspeito.

Meu advogado-branco veio me socorrer. Sou médico, sou dono de uma clínica, tenho três especializações, dou aulas, tenho vários livros publicados, falo quatro idiomas.

Até agora ninguém me pediu desculpas. Ficam repetindo que eu sou preto, nem pareço um velho e estava correndo, como iam saber que eu não era um marginal?

MOTTA, Alê. Velhos. Rio de Janeiro: Reformatório, 2020. p. 17-20.

Com base no texto e na leitura integral da obra Velhos, publicada originalmente em 2020, no contexto sócio-histórico e literário e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que: 

01) embora o título explore diferentes sentidos de “desculpas”, a leitura integral do texto enfatiza o emprego do termo mais como uma justificativa para a violência do que como uma retratação.   

02) a ênfase das narrativas que compõem Velhos recai sobre as mazelas do envelhecimento e a situação degradante em que vivem os idosos no Brasil.

04) a precisão e a concisão dos contos que integram Velhos estão presentes inclusive nos títulos, formados por uma única palavra.   

08) o fragmento “Dois dentes quebrados, três costelas fraturadas, as maçãs do rosto raladas, nariz sangrando, braço esquerdo luxado” (ref. 1) retoma o protagonista por metonímia.   

16) no texto, ocorre a interação de diversos fatores sociais, como faixa etária, gênero, classe, formação acadêmica e atuação profissional, que definem a personagem, mas todos se revelam subordinados a questões étnico-raciais.   

32) a autora subverte as regras de paragrafação ao eliminar o recuo para sinalizar os diálogos entre as personagens.   

Resposta: 01 + 04 + 08 + 16 = 29.

02) Incorreta: Os contos presentes em Velhos abordam a velhice sob diferentes perspectivas, explorando diversos aspectos do envelhecimento. Porém, a obra não se concentra exclusivamente em retratar os idosos de maneira degradante, nem reforça estereótipos relacionados à velhice.

32) Incorreta: O texto é narrado em primeira pessoa e não contém diálogos entre personagens. Portanto, não há eliminação de recuo de parágrafos para marcar falas, como seria necessário em textos com diálogos.

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Kimberli Ariotti Sabino

Licenciada em Letras pela UFSC, com mestrado em Linguística pela mesma instituição. Colaborou com o blog do Aprova Total.

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Licenciada em Letras pela UFSC, com mestrado em Linguística pela mesma instituição. Colaborou com o blog do Aprova Total.

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