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Como usar preposições? Conheça exemplos mais comuns

Entenda como essas palavras conectam ideias, influenciam a interpretação e podem ser decisivas para acertar questões em provas

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A preposição é uma classe gramatical invariável que estabelece relações de sentido entre palavras, conectando termos e organizando a estrutura das frases.

Muito presente no dia a dia, ela indica ideias como lugar, tempo, causa, finalidade e modo. Por isso, compreender seu uso serve não apenas para escrever bem, mas também para interpretar textos com mais segurança.

No contexto do Enem e dos vestibulares, o domínio das preposições pode fazer diferença em questões de gramática e interpretação, já que pequenas mudanças no uso dessas palavras podem alterar completamente o sentido de uma frase.

Ao longo deste texto, você vai entender o que é preposição e conhecer seus principais usos, com exemplos práticos que ajudam a fixar o conteúdo.

O que é preposição?

A preposição é uma palavra invariável que estabelece relação entre dois termos de uma oração.

Ela sempre conecta um termo regente (aquele que exige complemento, como verbos transitivos e nomes que pedem complemento) a um termo regido (o complemento exigido pelo termo regente). Pense nela como uma ponte que liga ideias e dá sentido completo à frase.

Por exemplo, na frase "Gosto de chocolate", o verbo "gostar" é o termo regente, a preposição "de" faz a ligação, e "chocolate" é o termo regido. Sem a preposição, a frase ficaria incorreta: "Gosto chocolate". Muita gente confunde, mas vamos esclarecer isso.

As preposições expressam diferentes relações semânticas entre os termos, como lugar, tempo, modo, causa, finalidade, posse, entre outras. Essa variedade de significados é que torna o estudo das preposições tão importante.

Como as preposições são classificadas?

As preposições se dividem em dois grandes grupos: essenciais e acidentais.

Preposições essenciais

As preposições essenciais são aquelas que sempre exercem a função de preposição, ou seja, não pertencem a outra classe gramatical.

São as mais comuns e usadas no dia a dia: a, ante, até, após, com, contra, de, desde, em, entre, para, por, sem, sob, sobre e trás.

Elas estabelecem relações diretas entre termos da oração, sendo fundamentais para a construção de sentido. Veja alguns casos:

  • vou a São Paulo (direção);
  • chegou após o início (tempo);
  • lutou contra a injustiça (oposição);
  • livro de História (especificação).

Preposições acidentais

Já as preposições acidentais são palavras que pertencem originalmente a outras classes gramaticais (como advérbios ou particípios), mas que, em determinados contextos, passam a funcionar como preposição.

Exemplos comuns são conforme, segundo, mediante, salvo, exceto, fora, visto e durante. Nesses casos, o contexto da frase ajuda a identificar a preposição, o que também é bastante explorado em questões de interpretação e gramática nos vestibulares. Veja aplicações:

  • conforme o regulamento… (= de acordo com);
  • trabalhou durante a madrugada (= no decorrer de);
  • todos viajaram, exceto Maria (= com exceção de).

👉 Leia também: Você sabe o que é Morfologia? Veja exemplos

Locuções prepositivas e suas aplicações

Locução prepositiva é um conjunto de palavras com valor de preposição. Ela funciona como uma palavra única, é o caos de: a fim de, ao lado de, de acordo com, em cima de, em vez de, junto a, para com, por causa de, a respeito de, graças a, apesar de.

Um aspecto importante das locuções é que elas não podem ser separadas. Note:

  • "Estudou a fim de passar no Enem" (finalidade);
  • "De acordo com os dados…" (conformidade);
  • "Por causa da chuva" (causa);
  • "Apesar dos problemas" (concessão).

Lista de preposições

No Enem e vestibulares, o mais importante não é decorar a lista, mas entender o sentido que a preposição traz no contexto. Por isso, listamos as preposições mais comuns com exemplos:

PreposiçãoPrincipais finalidades (sentidos)Exemplo
adestino, direção, tempo, modoVou a São Paulo / Cheguei às 8h
anteposição, presençaFicou nervoso ante o público
atélimite, inclusãoTrabalhou até tarde
apósposterioridade (tempo)Saiu após a reunião
comcompanhia, instrumento, modoSaiu com amigos / Cortou com faca
contraoposição, resistênciaLutou contra o sistema
deorigem, posse, matéria, causaCasa de madeira / Livro de Maria
desdeinício no tempo ou espaçoMoro aqui desde 2020
emlugar, tempo, estadoEstou em casa / Nasci em maio
entreposição intermediária, relaçãoSentou-se entre os amigos
parafinalidade, destinoEstuda para o Enem
permeio, distribuição (uso restrito)Lucro per capita
perantediante de, em presença deRespondeu perante o juiz
porcausa, meio, agente da passiva, trocaFez isso por amor / Foi feito por ele
semausência, faltaSaiu sem dinheiro
sobposição inferior, dependênciaEstá sob pressão
sobreassunto, posição superiorFalou sobre política
trásposição posterior (uso raro)Foi trás do prejuízo
aforaexclusão, exceçãoTodos foram, afora ele
comomodo, função, comparaçãoTrabalha como professor
conformeconformidade, acordoFez conforme o combinado
consoanteconformidade (formal)Consoante a lei
durantetempo, duraçãoEstudou durante a noite
excetoexclusãoTodos vieram, exceto João
foraexclusão, exceçãoFora isso, tudo bem
mediantemeio, condiçãoPagamento mediante boleto
menosexclusão, restriçãoTodos passaram, menos um
salvoexceção, proteçãoTodos, salvo ele
segundoconformidade, opiniãoSegundo o professor
vistocausa, justificativaVisto o ocorrido

Regras sobre preposição

Existem regras que ajudam a orientar sobre o uso da preposição. No entanto, dependem do contexto, da regência verbal e nominal e do sentido que se quer expressar. A seguir, vamos conhecê-las.

Regência verbal e nominal

Lembra dos verbos transitivos que você estudou? Muitos deles pedem preposições específicas. Por exemplo, gostar de, assistir a (no sentido de ver), precisar de.

Essa regra não é opcional, visto que trocar a preposição pode gerar erro gramatical ou mudar o significado. Veja exemplos:

  • Gostar de:

Gosto de estudar Geografia, principalmente países e capitais da Europa.

  • Precisar de:

Preciso de mais tempo para revisar o conteúdo antes da prova.

  • Tratar de:

O texto da reportagem trata de problemas sociais presentes no Brasil.

  • Chegar a:

Chegamos ao local da prova com antecedência.

  • Pensar em:

Estou pensando em mudar minha rotina de estudos.

  • Zelar por:

É importante zelar pela organização do material, ou não durará o ano letivo inteiro.

Sentido (valor semântico)

A escolha da preposição depende da ideia que você quer transmitir. Por isso, a regra de sentido (valor semântico) está ligada ao significado que a preposição estabelece na frase. Ou seja, além de ligar termos, também cria uma relação de sentido entre eles, como causa, finalidade, lugar, tempo, modo, entre outros.

  • para → finalidade

Ela estudou incansavelmente para passar no vestibular.

  • por → causa

Hoje, João faltou por doença, mas a mãe disse que não é grave.

  • em → lugar

Ao se apresentar, Pedro disse que mora em Piracicaba.

Contrações e combinações

A regra de contrações e combinações nas preposições explica o que acontece quando uma preposição se junta a outro termo da frase, como um artigo (o, a, os, as) ou um pronome (ele, ela, aquele etc.). Essa junção pode acontecer de duas formas: com mudança na forma das palavras ou sem mudança.

Combinação

Quando não há alteração, chamamos de combinação. Nesse caso, a preposição e o outro termo aparecem juntos na frase, mas continuam separados e com a mesma forma original.

É o que acontece, por exemplo, em “entreguei o material a ele” ou “refiro-me a ela”. Note que a preposição “a” não se transforma, ela apenas se liga ao pronome, mantendo sua forma.

Contração

Já quando há alteração na escrita ou na pronúncia, temos a contração, que é bem mais comum no Português. Aqui, a preposição e o outro termo se fundem e formam uma nova palavra.

É o caso de “de + o = do”, como em “gosto do livro”, ou “em + a = na”, como em “estou na escola”. O mesmo acontece com “a + o = ao” (“fui ao mercado”) e “por + o = pelo” (“passei pelo parque”). Nessas situações, não escrevemos as palavras separadas, pois as formas contraídas já são consolidadas.

Um ponto muito importante é que nem sempre a contração deve acontecer, mesmo quando parece possível. Isso ocorre principalmente quando o termo que vem depois da preposição funciona como sujeito de um verbo.

Por exemplo, em “é hora de o aluno estudar”, o correto é manter separado porque “o aluno” é quem pratica a ação de “estudar”. Se você contraísse (“do aluno estudar”), estaria alterando a estrutura da frase e criando um erro gramatical.

Outro cuidado importante é com os pronomes pessoais. Em muitos casos, especialmente na linguagem mais formal, não se faz contração com eles: dizemos “entreguei a ele”, e não “ao ele”.

📝 A crase é a contração da preposição "a" com o artigo feminino "a" ou com pronomes demonstrativos. Veja um guia completo sobre como utilizar a crase corretamente.

Uso fixo em expressões

A regra do uso fixo em expressões acontece quando a preposição vem “presa” a uma expressão consagrada pelo uso da Língua Portuguesa. Ou seja, são combinações que você precisa reconhecer e memorizar porque trocar a preposição geralmente soa errado.

Isso acontece em locuções e expressões idiomáticas. Por exemplo:

  • à medida que;
  • de acordo com;
  • em vez de;
  • por causa de.

Outro ponto importante é que algumas dessas expressões podem até causar dúvida porque existem formas parecidas, mas com sentidos diferentes. Veja:

  • ao encontro de (ideia de concordância, aproximação);
  • de encontro a (ideia de oposição, choque)

Aqui, a troca da preposição muda completamente o sentido. Neste caso, a melhor forma de dominar esse conteúdo é por meio da leitura, da prática e da familiaridade com essas estruturas.

Como a preposição aparece no Enem e vestibulares

No Enem e nos principais vestibulares, a preposição costuma aparecer de forma contextualizada, exigindo do candidato a compreensão do valor semântico e da função na construção do sentido.

Em questões de interpretação de texto, por exemplo, pequenas preposições podem alterar completamente o significado de uma frase, sendo decisivas para identificar a alternativa correta.

Além disso, elas são frequentemente cobradas em temas de regência verbal e nominal, crase e reescrita de trechos, avaliando se o estudante domina o uso adequado em diferentes situações comunicativas.

Questão sobre preposição no Enem

(Enem 2002) A crônica muitas vezes constitui um espaço para reflexão sobre aspectos da sociedade em que vivemos.

Eu, na rua, com pressa, e o menino segurou no meu braço, falou qualquer coisa que não entendi. Fui logo dizendo que não tinha, certa de que ele estava pedindo dinheiro. Não estava. Queria saber a hora. Talvez não fosse um Menino De Família, mas também não era um Menino De Rua. É assim que a gente divide. Menino De Família é aquele bem-vestido com tênis da moda e camiseta de marca, que usa relógio e a mãe dá outro se o dele for roubado por um Menino De Rua.

Menino De Rua é aquele que quando a gente passa perto segura a bolsa com força porque pensa que ele é pivete, trombadinha, ladrão. (…) Na verdade não existem meninos De rua. Existem meninos NA rua. E toda vez que um menino está NA rua é porque alguém o botou lá. Os meninos não vão sozinhos aos lugares. Assim como são postos no mundo, durante muitos anos também são postos onde quer que estejam. Resta ver quem os põe na rua. E por quê.

COLASSANTI, Marina. In: Eu sei, mas não devia. Rio de Janeiro: Rocco, 1999

No terceiro parágrafo em “… não existem meninos De rua. Existem meninos NA rua”, a troca de “De” pelo “Na” determina que a relação de sentido entre “menino” e “rua” seja:

a) de localização e não de qualidade.

b) de origem e não de posse.

c) de origem e não de localização.

d) de qualidade e não de origem.

e) de posse e não de localização.

Resposta: [A]
A resposta correta é a alternativa [A] porque, em “meninos de rua”, a preposição “de” expressa uma ideia de qualidade ou classificação, como se fosse um tipo de criança rotulada socialmente, enquanto em “meninos na rua”, a contração “na” (em + a) indica apenas localização, ou seja, mostra que os meninos estão naquele lugar, sem defini-los por isso; assim, a autora troca um sentido de rótulo por uma circunstância, reforçando a reflexão crítica do texto.

Questão sobre preposição no vestibular

(Fuvest 2018) Os bens e o sangue

VIII
(…)
Ó filho pobre, e descorçoado*, e finito
ó inapto para as cavalhadas e os trabalhos brutais
com a faca, o formão, o couro… Ó tal como quiséramos
para tristeza nossa e consumação das eras,
para o fim de tudo que foi grande!

Ó desejado,
ó poeta de uma poesia que se furta e se expande
à maneira de um lago de pez** e resíduos letais…
És nosso fim natural e somos teu adubo,
tua explicação e tua mais singela virtude…
Pois carecia que um de nós nos recusasse
para melhor servir-nos. Face a face
te contemplamos, e é teu esse primeiro
e úmido beijo em nossa boca de barro e de sarro.

Carlos Drummond de Andrade, Claro enigma.

*descorçoado”: assim como “desacorçoado”, é uma variante de uso popular da palavra “desacoroçoado”, que significa “desanimado”.
** “pez”: piche.

Considere o tipo de relação estabelecida pela preposição “para” nos seguintes trechos do poema:

I. “ó inapto para as cavalhadas e os trabalhos brutais”.

II. “Ó tal como quiséramos para tristeza nossa e consumação das eras”.

III. “para o fim de tudo que foi grande”.

IV. “para melhor servir-nos”.

A preposição “para” introduz uma oração com ideia de finalidade apenas em

a) I.

b) I e II.

c) III.

d) III e IV.

e) IV.

Resposta: [E]
Nos trechos [I], [II] e [III], a preposição "para" não apresenta noção de finalidade, nem introduz oração. Apenas no trecho IV, o termo inicia uma oração subordinada adverbial que expressa a finalidade da recusa ("Pois carecia que um de nós nos recusasse / para melhor servir-nos”). Assim, é correta a alternativa [E].

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